Um homem viveu o pior dos pesadelos quando tentou fugir da Síria, junto com a família. Ashraf teria pago cerca de 2500 reais a um traficante humano por cada lugar, em um barco, tentando atravessar o mar mediterrâneo. Como tem acontecido muito ultimamente, o sonho de chegar na Europa morreu pelo caminho e apenas Ashraf chegou em segurança. Pelo caminho, ficaram a mulher grávida e os dois filhos, de cinco e dois anos, após o homem ter tentado salvar a vida de apenas um deles, quando o barco afundou. 

O homem recordou para o jornal Times os momentos de sofrimento vividos quando o barco afundou junto da costa na Líbia. Cerca de duzentas pessoas teriam perdido suas vidas em um naufrágio terrível, em agosto de 2015.

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Já passaram alguns meses, mas Ashraf tem revivido esse pesadelo todos os dias. O homem não esquece o momento em que teve que escolher largar a mão da mulher para tentar salvar a vida de Karim, de cinco anos. O menor, Youssef, de apenas dois anos, já teria sido puxado pelas ondas. O mesmo triste destino tiveram a mulher e Karim, que o pai não teve forças para segurar em seus braços, tamanha era a ondulação desse mar. 

Também a mãe desse homem e ainda um sobrinho, de apenas um ano, perderam a vida nesse mesmo naufrágio. Ao todo, no pequeno barco estariam 400 pessoas e 200 teriam perdido a vida. No início de 2016, são cada vez mais os migrantes que estão tentando chegar na Europa através da Líbia, atravessando o mar mediterrâneo, chegando na Itália. Muitas das vezes, em condições iguais as de Ashraf, ficando muitos pelo caminho. 

As pessoas pagam verdadeiras fortunas por um lugar em um barco sem as mínimas condições de segurança.

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Como Ashraf, que arriscou sua vida e de sua família, para fugir da guerra civil que está destruindo a Síria. Tudo o que esse homem sonhava era chegar na Europa e começar uma nova vida, junto com sua família. Mas, apenas conseguiu uma vida de pesadelo, após perder tudo nessa tragédia. "Eu ainda posso ouvir os gritos da minha esposa. Eu ainda posso sentir o meu filho entre meus braços. Eu vivo esse momento todos os dias e não vou esquecê-lo até que me coloquem debaixo da terra", recordou, emocionado, Ashraf, em declarações para o jornal Times. #Refugiados #Crise migratória #Conflito na Síria