A primavera parisiense de 2016 começou bem agitada e, pelo que parece, ficará na história. Manifestantes se reuniram na Praça da República no centro de Paris para protestar contra a lei El Khomri, apresentada pela Ministra do Trabalho Myriam El Khomri, do governo socialista de François Hollande. Daí em diante, o local se transformou num palco permanente de múltiplas vozes insatisfeitas contra as chagas do mundo contemporâneo.

Os manifestantes desaprovam a lei que favorece os empresários em detrimento dos trabalhadores, como por exemplo a facilitação de demissões e reduções de indenizações entre outras perdas trabalhistas.  Ao que parece, os protestos que vêm sendo chamados de Nuit Debout (numa tradução livre: "Noites em claro") conseguiram juntar muitas outras insastifações do povo francês.  Tudo indica que é um livre exercício da democracia direta.

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Os movimentos se realizam todo o fim de tarde por volta das 17h, reunindo milhares de pessoas para discutir as mais variadas questões e fazer discursos no microfone de 3 a 5 minutos. Disponível para o mundo via Youtube e/ou outras fontes online.

Jovens, trabalhadores, sindicalistas, intelectuais vêm transformando este episódio em um movimento global, a fim de criticar e reformular modelos políticos, e buscar novas soluções para problemas que nos afligem neste mundo globalizado. Foi agendado para o dia 15 de maio uma série de manifestações semelhantes para que ocorram em diversas partes do mundo simultaneamente.

A ausência de lideranças e ideologias definidas levanta uma gama de dúvidas acerca da legitimidade do movimento. Mas o que une o grande número de pessoas se apresenta pela insatisfação com o desequilíbrio dos sistemas políticos que não representam mais os cidadãos.

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Numa simples análise qualquer um se depara com #Corrupção, autoritarismo, ascenção da direita radical, burocracia, discriminação, desigualdade social, danos ao meio ambiente, instituições obsoletas e várias outras mazelas da contemporaneidade.

Por não haver grupos partidários, ONGs, sindicatos ou instituições oficiais por trás destes movimentos, a ideia é exercer novas práticas de democracia. O Nuit Debout não tem como objetivo chegar ao poder pois este é facilmente corruptível. Mesmo sem lideranças ou representatividade nos modelos tradicionais da política, o fenômeno se fortalece praticando a liberdade de expressão, e com o único fim aparente de, no mínimo, encontrar novas formas de organização e alternativas para solucionar as várias crises atuais. #Manifestação #Crise