Em reportagem divulgada nesta quinta-feira (5), o site do The New York Times aborda questões relacionadas com a qualidade das águas onde algumas competições das Olimpíadas do Rio de Janeiro irão acontecer, tais como remo, triátlon e maratona aquática, entre outras modalidades.

A matéria é assinada por Lynne Cox, ex-nadadora de grandes distâncias e atualmente escritora. Cox foi a primeira pessoa a nadar pelo Estreito de Bering, dos Estados Unidos até a extinta União Soviética, e relata na matéria que a única vez em que ela não conseguiu completar uma maratona aquática foi quando nadou pelas águas poluídas do rio Nilo, onde contraiu disenteria ainda na fase de treinos.

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Poluição das águas no Rio de Janeiro

Na reportagem divulgada, Lynne Cox alerta que qualquer atleta que entre em contato com as águas poluídas, tanto da Baía de Guanabara quanto das proximidades de Copacabana, tem uma alta probabilidade de adoecer – principalmente os nadadores de maratona e triatletas, que podem, durante a competição, ingerir acidentalmente um pouco de água contaminada.

Cox afirmou estar preocupada com a situação, e seus receios não são injustificados, uma vez que o esgoto bruto de cerca de 12 milhões de pessoas residentes na região metropolitana do Rio flui diretamente para a Baía de Guanabara por dia, que por sua vez flui para a praia de Copacabana.

Riscos de contaminação

Fernando Rosado Spilki, virologista e especialista em qualidade da água da Universidade Feevale do Rio Grande do Sul, fez testes encomendados pela agência de notícias Associated Press nestes locais onde ocorrerão competições na água e identificou que os níveis de agentes patogênicos chegavam a 1,7 milhão de vezes do que seria considerado perigoso em uma praia da Califórnia, por exemplo.

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Dr. Spliki concluiu que “a quantidade de matéria fecal que entra nos corpos d'água no Brasil é extremamente elevada", e afirmou para Lynne Cox que é "muito provável que uma pessoa nadando nessas águas seja infectada".

A Associated Press também pediu para Kristina Mena, especialista em gestão de risco da Escola de Saúde Pública da Universidade do Texas examinar os resultados encontrados pelo Dr. Spilki. Mena calculou que com estes níveis de poluição, atletas que ingerirem acidentalmente apenas três colheres de chá de água da Baía de Guanabara, por exemplo, terão uma chance de 99% de se infectarem ou adoecerem. #Rio2016