O estouro ao redor do Stade de France poderia ser apenas um ato de um torcedor francês mais empolgado com a sua seleção, que, naquele momento, disputava uma partida amistosa contra a campeã do mundo Alemanha. Convictos dessa hipótese, os demais fãs presentes no palco da única conquista mundial francesa, em 1998, se deixaram levar pelo barulho e comemoraram o som, como se este fosse um prenúncio de uma noite repleta de gols.

Mas aquele estampido no início da noite de sexta-feira, dia 13 de novembro de 2015, em Paris, representou o ponto de partida de uma página em que o terror ganhou de goleada e o fanatismo rebaixou mais de 130 vidas.

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As duas bombas estouradas junto ao estádio não vinham de torcedores: eram o resultado de um planejamento meticuloso desenvolvido pelo grupo jihadista autoproclamado Estado Islâmico, que naquele data escolheu a Cidade Luz para ser banhada com o sangue da intolerância.

Na sequência dos fatos friamente calculados pelos terroristas, bares e restaurantes foram alvos dos ataques dos combatentes do EI, até que o auge do massacre tomou forma dentro da casa de shows Bataclan, situada no coração da cidade, onde mais de 80 inocentes foram executados. Desde então, a França, no centro dessa guerra político-religiosa, declarou luta "implacável" contra o #Terrorismo e reforçou o seu sistema de segurança - mesmo assim, a alta cúpula do país admite temor quanto à realização da Eurocopa de futebol, que começa na sexta-feira, dia 10.

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Seis meses depois da trágica sexta-feira, 13, o país receberá um evento de grandes proporções, que reunirá turistas e cidadãos de diferentes partes do continente e do mundo. Ciente de que sua nação novamente estará em "evidência", o presidente da França, François Hollande, admitiu, neste domingo, 5, que existe a ameaça de novos atentados durante os dias de competição.

"A ameaça, sim, existe, mas nunca podemos nos deixar levar pelo temor. Infelizmente, essa ameaça seguirá conosco por um tempo que ainda será longo. Deste modo, cabe a nós darmos todas as garantias e condições para que a Eurocopa seja um sucesso", salientou Hollande, em entrevista à France Inter, emissora de rádio pública do país.

Na guerra contra o terrorismo, a França adotou medidas importantes para conter qualquer tipo de ameaça. O Estado de Emergência, mantido desde os ataques de novembro de 2015, foi ampliado para até o dia 26 de julho - a Euro termina no dia 10 do mesmo mês. Na mesma linha, o reforço de segurança tem números bastante significativos.

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Entre policiais e agentes privados, serão mais de 90 mil homens com a missão de proteger os estádios e também as Fan-Zones, áreas de entretenimento que deverão receber até 7 milhões de torcedores durante os jogos.

No próximo dia 10, a bola vai rolar para França e Romênia, na abertura do Grupo A da competição, no mesmo palco que, em novembro, recebeu em suas adjacências o som forte e abafado do estouro de bombas que alimentaram o terrorismo. Que, dessa vez, o Stade de France receba apenas o som dos torcedores cantando e da bola tocando às redes. E que, ao final, a paz seja a grande vencedora. #Europa #Eurocopa 2016