Chamado de a ‘Área 51 inglesa’, o misterioso complexo militar da Grã-Bretanha, a base Porton Down, criada em 1916, no condado de Wiltshire (Inglaterra), durante a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918), completa 100 anos esse ano.

Inicialmente desenvolvida para combater as armas químicas do exército alemão que, em 1915, ceifaram a vida de centenas de soldados aliados, a Porton Down foi além dos objetivos iniciais. Atualmente, é avaliada como um dos complexos militares mais tecnológicos do mundo. Segundo o jornal britânico Express, edição de terça-feira (28), após os mortíferos ataques com gases químicos, o secretário de Estado da Grã-Bretanha para a guerra, Lord Kitchener, ordenou a criação de um laboratório de armas químicas para estudar e elaborar equipamentos capazes de evitar a contaminação por esses gases.

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Embora o complexo seja o pilar da indústria da tecnologia bélica inglesa, a instituição foi estigmatizada ao longo das décadas como um local onde seres humanos eram usados como cobaias. A desconfiança ganhou força após a descoberta de experimentos em pessoas e animais, envolvendo testes de agentes químicos e biológicos. Mesmo que a intenção fosse desvendar os nocivos efeitos dessas armas, e preveni-los por meio de análises laboratoriais em agentes vivos, a repercussão entre a opinião pública ‘manchou’ a imagem da instituição.

Portas abertas à imprensa

Devido ao fato da base ser pouco conhecida, vários teóricos da conspiração alegavam a existência de naves extraterrestres e corpos alienígenas no estabelecimento. Eles suspeitavam que um suposto ovni acidentado no País de Gales, em 1974, tinha sido encaminhado à Porton Down.

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Porém, o véu de mistério começou a ser rompido no início de 2016, após jornalistas da BBC receberem ‘acesso sem precedentes’ para analisarem o funcionamento de uma das mais importantes bases de pesquisa militar e científica do planeta.

De acordo com o presidente da entidade, Jonathan Lyle, o local, com orçamento avaliado em 500 milhões de libras esterlinas ao ano, composto de tubos de ensaio, materiais perigosos e placas com o aviso: ‘Super Tóxico' foi construído num terreno de sete mil acres, e atualmente emprega três mil cientistas. Ele ressaltou a necessidade de ampliação da tecnologia militar como forma de precaução. “É realmente importante que consigamos tecnologias futuras e nos certifiquemos de que estamos à frente do jogo em termos de avanços científicos que poderiam dar as nossas Forças Armadas uma vantagem”, destacou.

Lyle acrescentou que eles foram os criadores do respirador de serviço geral (GSR, sigla em inglês), máscara capaz de inutilizar gases mortíferos, usada hoje em dia pelo exército.

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Também salientou os trabalhos empenhados pela Porton Down em desativar as bombas não detonadas de guerras anteriores, identificadas em diversos locais do Reino Unido. “Há ainda milhares à espera de serem destruídas, e mais são descobertas a cada ano”, comentou.

Cobaias humanas

Com objetivo produzir um material ainda mais nocivo do que o sarin, os cientistas da Porton Down verificaram que os testes em animais eram inúteis para a obtenção dos resultados necessários.  Então, decidiram experimentar os gases ‘inovadores’ em humanos. Eram cerca de 500 cobaias ao ano.

Segundo o Express, em 1953, um dos militares envolvidos nos testes, Ronald Maddison, ao ser afetado por um gás no interior do estabelecimento, começou a suar e a se queixar de dores. Em menos de uma hora ele estava morto.

Na época, o complexo militar conseguiu ultrapassar o grau de letalidade do sarin, ao fabricar um agente 170 vezes mais letal, chamado Venomous Agent X (VX), capaz de matar um homem adulto com apenas uma gota aplicada à pele.

O VX foi o último gás desenvolvido, no final da década de 50. Nos anos seguintes, o governo britânico redirecionou o foco na construção de bombas de hidrogênio.

Animais ainda servem de cobaias na Porton Down. “Fazemos isso em um ambiente regulamentado nos termos da legislação pertinente”, disse Lyle. #Mídia #Curiosidades #Internet