No estado de Oregon, #EUA, o sargento condecorado e aposentado, Jamie Shupe, consegue vitória jurídica histórica no país, ao ter garantido o direito de ser identificado como indivíduo não-binário.

Shupe não se reconhece como homem ou mulher, e para ter o direito de ser percebido pela sociedade como cidadão de um terceiro gênero, o não-binário, entrou com uma ação na cidade de Portland, onde a Juíza Amy Holmes Hehn concedeu o direito à realização do cartão de identificação. 

Nos EUA, a identidade de gênero reconhecida pelo governo federal e seguida por todos os estados, considera apenas o sistema binário homem ou mulher. Dessa forma, o indivíduo só poderia ser identificado de acordo com esses dois gêneros.

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Entretanto, a partir dessa decisão em Oregon, ocorrida no dia 10 de junho, abriu-se um precedente na lei. Sendo assim, outros norte-americanos poderão requerer a mesma concessão, visto que a justiça fundamenta suas sentenças em casos julgados anteriormente pelos tribunais de direito.

A discussão sobre a inclusão do terceiro gênero na identificação civil não é um fato novo nos EUA. Segundo o "G1", 64 mil pessoas assinaram uma petição pela internet, que já havia sido encaminhada à Casa Branca, pedindo que o governo federal permitisse a identificação do indivíduo como não-binário.

Jamie Shupe, nome que adotou como não-binário, nasceu do sexo biológico masculino, no sul do estado de Maryland, em uma cidade rural e conservadora dos EUA. Ainda muito jovem, reconheceu-se como mulher, mas foi repreendido pela mãe, que também era conservadora.

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Ao crescer, viu no exército a possibilidade de aprender  valores e habilidades que seriam proveitosos para o meio civil, além de fugir daquela realidade da qual não se encaixava.

Jamie permaneceu por 18 anos nas Forças Armadas e recebeu muitas medalhas por sua competência no trabalho. Nesse período, também progrediu em relação ao seu senso de identidade, que só foi explorado e melhor compreendido depois que completou 40 anos de idade.

Três anos após sair do exército, em decorrência de um acidente de serviço, iniciou tratamento com terapia hormonal para desenvolver características de um corpo feminino. Nesse momento teve apoio de sua esposa, com quem permanece casado há 29 anos, para enfrentar as dificuldades impostas pela lei militar que excluiria os direitos adquiridos anteriormente por sua cônjuge.

Após essa batalha com as Forças Armadas, ele encontrou ainda outros obstáculos. Ao tentar realizar seu trabalho como civil, percebeu que necessitava mudar de cidade porque os moradores de Pittsburg deixavam de fechar negócio em virtude da identificação de seu novo gênero.

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Depois de ter realizado o tratamento para se tornar uma trans mulher, percebeu que essa identificação não fazia parte de como se percebia no mundo. A partir daí, resolveu pesquisar uma cidade onde pudesse viver com sua esposa e trabalhar com segurança e conforto. Foi assim que encontrou em um site de #Direitos Humanos a indicação da cidade de Portland, tida como refúgio para os transgêneros da América. 

Em Portland, Jamie conseguiu quebrar a definição legal do termo masculino e feminino e agora aguarda o próximo passo para obter identificação como não-binário, deixando como mensagem a reflexão sobre o reconhecimento de que a identidade de gênero não deve ser formatada no binômio homem ou mulher.  #LGBT