Considerado o país mais pobre das Américas, com 80% da população vivendo na miséria, O Haiti enfrenta um novo drama: ninguém sabe quem é o presidente do país. O cenário caótico, causado pelo terremoto de 7.0 de magnitude que matou 200 mil pessoas e deixou mais de um milhão de desabrigados, em 2010, parece ter ficado em segundo plano, após o fracasso das eleições presidenciais de 2015 ser o assunto mais comentado no país. Sem presidente, um governo interino foi nomeado em fevereiro desse ano, com objetivo de organizar novas eleições.

Contudo, de acordo com informações do periódico norte-americano The Washington Post, edição desta quinta-feira (16), o mandato de 120 dias do presidente interino, Jocelerme Privert, expirou à meia-noite da última terça-feira (14), e como o parlamento do Haiti não prolongou seu mandato, nem nomeou outra pessoa para o cargo, o país, literalmente, ficou sem governante, e está próximo de ser absorvido pela anarquia primitiva.

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Embora Privert não esteja mais no cargo, ao menos oficialmente, o impasse continua, pois, mesmo que os oponentes aleguem o término do mandato, Jocelerme e seus partidários insistem que ele ainda continua como chefe da nação, até o momento em que o legislativo decidir o contrário, o que ainda não aconteceu.

O jornal denuncia o fato de as fraudulentas eleições do ano passado terem sido patrocinadas em até 100 milhões de dólares por alguns governos estrangeiros (nomes não divulgados), que relutaram em aceitar novas eleições em outubro desse ano.

Peter Mulrean, embaixador norte-americano no Haiti, avalia como preocupante o cenário atual. “Nós, como governo, precisamos de um parceiro em tempo integral no Haiti, e isso significa tanto um presidente e um parlamento estável, para podermos enfrentar as crises imediatas e obter o desenvolvimento da nação”, argumenta.

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Única forma de enriquecer

Não muito diferente do que acontece no Brasil, os cargos políticos do país servem para enriquecer os eleitos. Numa sociedade onde os empregos formais são escassos e a #Corrupção faz parte da cultura local (igual ao Brasil), a única opção para sair da miséria é vencer uma eleição e usufruir do dinheiro público, deixando os interesses do povo a mercê da própria sorte. O problema, é que após ingressarem na carreira pública, os políticos não querem mais deixar o cargo, como acontece com o ‘atual ex-presidente interino’ do Haiti.

A luta continua

Os adversários de Privert, do partido do ex-presidente Michel Martelly, que deixou o cargo em 7 de fevereiro de 2016, ressaltam que irão mobilizar protestos em todo o território para que o interino deixe a presidência.

Segundo o primeiro-ministro Enex Jean-Charles, que deve ser reconhecido como líder interino daquela nação, a saída de Jocelerme é inevitável. Ele destaca o fato de o partido de oposição ter apoio da Câmara dos Deputados e da câmara baixa do Haiti, para impedir a continuação do mandato de Privert.

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De acordo com a líder da oposição, Ann Valerie Timothee, toda vez que um candidato perde a eleição, ele contesta, o que acaba por desestabilizar o sistema democrático vigente.

Ela acredita que ânsia de Privert em permanecer no poder sem um mandato eleitoral, poderá levar o Haiti a uma ditadura que o país demorou décadas para sair. “As pessoas já morreram para ter democracia no Haiti”, desabafa.

Privert já passou dois anos na prisão, acusado de matar opositores do governo de Aristide, em 2004, quando atuou como Ministro do Interior. #Mídia #Curiosidades