Nos Estados Unidos, Jamie Shupe é a primeira pessoa a ganhar legalmente a permissão de se identificar como pessoa não-binária, ou seja, que não é do gênero masculino nem feminino. A petição de Shupe, que reside em Portland, no estado do Oregon, foi feita em abril, com base nas leis do próprio estado, que permite que indivíduos solicitem a mudança de gênero nos documentos.

Segundo o advogado de Shupe, Lake J. Perriguey, não há especificação legal para que o gênero, após a mudança, deva ser necessariamente masculino ou feminino. O pedido foi, então, aceito pela juíza Amy Holmes Hehn e a decisão foi deferida em 11 de junho.

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Shupe foi designade como garoto ao nascer e chegou a servir o exército. Em 2013, mais de uma década depois de se aposentar do serviço militar como sargento de primeira classe, começou sua transição para o gênero feminino, o que relata ter sido a única opção disponível na época. Agora, Shupe declara que se sente aliviada de não estar mais presa a um sistema binário de classificação, que lhe dava sensação de estar confinada.

A vida conjugal de Shupe não mudou com suas transições de gênero e seu casamento com Sandy Shupe permanece há 29 anos.

Identidades e expressões de gênero não-binárias já existem há séculos em algumas sociedades, bem como o reconhecimento de um 3º gênero que se manifesta de formas diversas em culturas diferentes - como é o caso das hijras, na Índia.

No mundo ocidental contemporâneo, a discussão tem se tornado cada vez mais recorrente, fomentada por decisões judiciais como a da Suprema Corte da Austrália, que em abril de 2014 permitiu que uma pessoa se registrasse como sendo de gênero neutro.

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Mesmo diante da apelação do estado de New South Wales para que fossem reconhecidos apenas os sexos masculino e feminino, a decisão foi mantida. "A Suprema Corte reconhece que uma pessoa pode não ser nem do sexo masculino, nem do sexo feminino, e permite, assim, o registro do sexo de uma pessoa como 'não especificado'", determinou a mais alta corte australiana. #EUA #LGBT