Apoiador da permanência do Reino Unido como membro da União Europeia, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu a renúncia logo após saber do resultado do referendo do dia 23 de junho. Com isso, começou uma corrida interna no Partido Conservador para decidir quem ocuparia o cargo de Cameron e, consequentemente, teria o dever de liderar a saída do Bloco Europeu. A decisão veio na última segunda-feira (11), quando a ministra do Interior, Theresa May, foi anunciada após ficar como a única candidata ao posto. A nova primeira-ministra assume o cargo hoje, 13 de julho.

Favoritismo

O anúncio de May não foi uma surpresa.

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Desde o início da disputa, quando ainda haviam cinco candidatos, ela já liderava na preferência entre os membros de seu partido. Logo na primeira rodada, a ministra do Interior britânica conseguiu mais da metade dos votos, fato que resultou não apenas na eliminação do último colocado na votação como também a desistência de outro concorrente. Na segunda rodada, Theresa May continuou à frente, e eliminou o ministro da Justiça, Michael Gove. A última rodada, em que disputaria a preferência com a secretária de Estado de Energia, Andrea Leadsom, não ocorreu por desistência da oponente, resultando no anúncio de May como única candidata e, consequentemente, nova ocupante do cargo de primeira-ministra.

A razão da escolha da nova premiê britânica, segundo declarou à agência de notícias France-Presse o professor de Ciência Política na Universidade de Bath, David Cutts, deveu-se à atitude mais discreta da ministra do Interior durante o Brexit.

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Com esse perfil, ela conseguiu obter um apoio mais amplo do partido para assumir o cargo após a desistência do principal apoiador do Brexit e até então favorito como primeiro-ministro, Boris Johnson.

Brexit

Um dado interessante sobre Theresa May é que ela esteve ao lado do primeiro-ministro, David Cameron, como apoiadora da permanência na #União Europeia. Isso, no entanto, não a impediu de aceitar a posição de premiê durante o divórcio do Bloco Europeu, posição que Cameron julgou-se incapaz de ocupar nesse processo. O premiê inclusive optou por antecipar a sua saída, anteriormente programada para ocorrer em setembro, e deve renunciar o cargo nesta quarta-feira para que, logo em seguida, May assuma a posição.

Em seu primeiro discurso após ser anunciada, a nova primeira-ministra mostrou-se otimista com o desafio. Ela lembrou que será preciso ter força para liderar o país em momentos que prometem ser difíceis na política e na economia. Além disso, a premiê afirmou que buscará a melhor negociação na saída da União Europeia.

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''Brexit significa Brexit. E vamos fazer dele um sucesso'', declarou, em frente à Câmara dos Comuns.

Imigração

Sobre a imigração, um dos pontos que motivaram a vitória do Brexit, Theresa May possui uma visão bem definida. Ainda que fosse partidária da permanência britânica no Bloco Europeu, ela se mostrou favorável à limitação na quantidade de imigrantes que o Reino Unido deveria receber. Para alguns, teria sido a capacidade de aglutinar posições de ambos os lados: pró e contra o Brexit, que favoreceu a escolha da candidata como líder do Partido Conservador. Por outro lado, como atestou o cientista político Tim Bale, da Universidade Queen Mary, ao Daily Mail, a ideia de que May conseguirá agradar a todos seria exagerada.

A respeito dessa situação, diante do Brexit, a nova primeira-ministra declarou há cerca de uma semana, em uma entrevista para a TV, que nada deve se alterar para os imigrantes que vivem no Reino Unido atualmente, porém só será possível haver uma posição mais precisa a respeito após a discussão com a União Europeia. Segundo ela, o mesmo vale para os britânicos que atualmente vivem em outros países da #Europa.

Mesmo com muitas questões a resolver com Bruxelas, a tendência é que Theresa May não acelere a saída do Bloco Europeu, processo que pode durar até dois anos.