Em manifesto aberto, 33 congressistas americanos do Partido Democrata, o mesmo da candidata à presidência Hillary Clinton, pediram ao secretário de Estado, John Kerry, que evite se manifestar a favor do processo de #Impeachment no Brasil. A informação foi divulgada nesta sexta (22), com exclusividade pela revista Carta Capital. 

Segundo a revista, o manifesto conta ainda com assinaturas de entidades sociais e sindicais. O pedido foi feito a Kerry porque, possivelmente, ele representará Barack Obama, nos Jogos Olímpicos do Rio e os parlamentares querem evitar que uma ou outra declaração dê a entender que o governo americano apoia o processo aqui em execução.

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A carta faz críticas ao governo interino, dizendo por exemplo que "Michel Temer substituiu uma administração progressista por um governo de brancos" e cita a queda do ex-ministro Romero Jucá por delações premiadas de Sérgio Machado que o envolvem em corrupção. Há ainda referência à inelegibilidade de Temer por oito anos, decretada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo e ao não-envolvimento de #Dilma Rousseff em corrupção (o seu afastamento se dá apenas por supostas infrações orçamentárias e não por envolvimento em ilícitos).

Em suma, parte do Congresso teme que qualquer gesto de Kerry venha a ser interpretado como apoio ao processo de impeachment que anda longe de ser unanimidade: na semana passada, parlamentares franceses publicaram um manifesto no Le Monde em que fazem críticas ao afastamento da mandatária eleita sem configuração de crime de responsabilidade.

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Nesta semana, um tribunal internacional popular reunindo juristas de seis países decretou o processo como nulo, numa condenação "moral" e afirmação de que há um golpe em curso.

Nos últimos dias, Mark Weisbrot, do Centro de Pesquisa Econômica e Política de Washington (#EUA), publicou um artigo no The Huffing Post em que critica seriamente o processo. Com o título "A lei valerá para alguma coisa no Brasil?", Weisbrot defende semelhanças entre processo vivido por Dilma e o vivido por Bill Clinton, inclusive nos defensores do impeachment.

Além destes fatos, editoriais em jornais como o The Guardian (Londres), o The New York Times (EUA) e outros defenderam a ilegalidade do processo contra Dilma.

A presidenta afastada não deverá comparecer à abertura dos Jogos Olímpicos: assessores dela temem que o fato venha a legitimar o interino no cargo e contradiga o discurso de "golpe". A votação que selará o destino definitivo de Dilma à frente da Presidência se dará entre o fim de agosto e o início de setembro.