E se de repente você recebesse um convite feito com o "instrumento do diabo" para degustar uma bela comida (embalsamada) e depois tomar a "bebida de satã"? Dito assim parece um tanto macabro. E que tal se você recebesse um telefonema para almoçar na casa de alguém que come comidas congeladas e depois tomar um delicioso cafezinho, bem melhor não é? Pois era assim que o telefone era chamado pelos suecos quando começou a circular, o inofensivo aparelho era visto como uma "ameaça para as relações comunitárias", diz Calestous Juma da Harvard Kennedy School, nos EUA, à BBC Mundo. Segundo Juma as pessoas temiam não mais se encontrarem para conversar por causa do instrumento do diabo.

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A mesma coisa acontecia com a bebida de Satã, o café. Juma identificou diferentes razões para ele ser tão repudiado. O café foi introduzido no Oriente Médio e impactou principalmente o 'poder', as autoridades perceberam que as pessoas já não ficavam esperando para ouvi-las, em vez disso iam às cafeterias e trocavam suas próprias opiniões. Além disso circulavam muitas informações, o que deixou as autoridades em alerta, já que estavam perdendo o prestígio.

Em seguida ele foi para a Europa, lá a oposição a bebida foi econômica. No Reino Unido e Alemanha, o café competia direto com a cerveja e na França e Itália se deparou com o vinho e leite. Juma assegura que todos podiam ter suas razões, apesar dos pontos de vista serem diferentes. Por cerca de 16 anos Juma fez estudos profundos sobre seis séculos de polêmicas criadas pela 'chegada do novo' e tudo que aprendeu está em seu livro "Inovação e seus inimigos: por que as pessoas resistem as novas tecnologias".

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O seu livro será lançado por ocasião da conferência da Sociedade da Schumpeter, em Montreal, Canadá.

O novo destrói o velho

O economista Joseph Schumpeter foi quem tornou popular o conceito da "destruição criativa", o efeito da inovação no mercado que traz tantas controvérsias e tantas oposições. Aos poucos as pessoas vão aceitando que o novo destrói o velho e a tecnologia vai ganhando espaço no mundo. Juma ressalta que o impacto da tecnologia pode ser mais dramático do que foi até agora e, segundo ele, é preciso um diálogo global. #Comunicação #História #Curiosidades