Era para ser mais um passeio com a família. Era para ser apenas mais uma noite na companhia do marido e das filhas. Era para ser um momento de celebração, conhecimento e admiração pela cultura local. O verbo no passado indica que a noite de quinta-feira, dia 14, não seguiu o seu roteiro natural e veio a interromper de forma brutal a vida da carioca Elizabeth Cristina de Assis Ribeiro, de 30 anos, que teve a morte confirmada na noite deste domingo.

Mesmo sendo carioca de Olaria, Elizabeth morava na Suíça desde 1998 e já tinha suas raízes fincadas no Velho Continente. Tanto é que suas três filhas nasceram no país em que ela escolheu viver.

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Kayla, Djulia e Kymea acompanhavam a mãe - e o pai, Silyan - na avenida Passeio dos Ingleses, à beira-mar de Nice, no sul da França. Estavam felizes por estarem juntos e aguardavam a queima de fogos referente ao Dia da Bastilha, uma data histórica para os franceses.

Só que quando o caminhão branco dirigido pelo franco-tunisiano Mohamed Bouhlel investiu em alta velocidade pela avenida, Silyan só teve tempo de agarrar Djulia e Kymea; Elizabeth e Kayla, de apenas 6 anos, não tiveram a mesma sorte e sucumbiram ao impacto ocasionado pelo veículo. Elas se juntaram a mais de 80 pessoas que perderam suas vidas em um atentado brutal, que banhou Nice com o sangue da intolerância e da crueldade.

A dor dos familiares

A esperança entre os familiares de Elizabeth no Brasil se mantinha de pé, já que até este domingo não havia uma confirmação oficial das autoridades - a carioca estava desaparecida desde o momento do atentado.

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Um exame de DNA divulgado neste domingo confirmou a morte da brasileira. Djulia, de 4, e Kymea, de sete meses, estão internadas em um hospital de Nice e recebem atendimento psicológico da equipe médica.

Diego Marinho, cabeleireiro de 23 anos, era sobrinho de Elizabeth e, ao portal G1, deu mais detalhes sobre os momentos de pânico vividos pela família a partir do atentado em Nice. Segundo ele, sua tia e seus familiares estavam de férias na França e inclusive assistiram aos jogos da Eurocopa, que foi realizada no país até o início de julho.

"Eles estavam na França e chegaram a assistir à Eurocopa de futebol. O marido da Elizabeth conseguiu falar conosco na sexta-feira e falou sobre as outras duas meninas. Elas estão bem. Ele disse que só conseguiu pegar as duas antes do caminhão e que viu a minha tia cair para um lado e a Kayla para o outro. Os bombeiros levaram a Elizabeth para algum lugar depois disso", declarou.

Ele ainda informou que a sua avó, mãe de Elizabeth, foi para Nice em busca de mais informações sobre o caso.

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Dona Inês Gyger mudou-se para Orbe, na Suíça, em 1998, e levou suas filhas. Na última quinta-feira, perdeu uma delas de forma cruel e chocante, em outro atentado que tem feito da França um misto de dor, tristeza e sangue. O ataque em Nice foi o terceiro em série ocorrido em território francês. Em janeiro de 2015, 12 morreram no ataque ao jornal Charlie Hebdo. Em novembro, 130 perderam a vida no massacre de Paris. #Terrorismo #AtentadoNice #PrayForNice