Habitando o nordeste da Venezuela há mais de 8 mil anos, e com pequenos grupos também na Guiana e no Suriname, a tribo Warao ainda se esforça para manter seus traços culturais apesar do impacto desde a colonização. Esses índios desenvolveram habilidades que lhe permitiram estabelecer suas moradias em uma região inóspita, próximo ao delta do rio Orinoco, onde se forma um verdadeiro labirinto de pântanos, pequenos rios e canais.

A sociedade Warao reconhece indivíduos que não seriam nem homens nem mulheres, chamadas tida wena. São indivíduos que nascem biologicamente com o "sexo masculino" e assumem, desde jovens, funções tradicionalmente femininas da comunidade.

Publicidade
Publicidade

Apesar de suas parcerias comerciais com tribos próximas e, até mesmo, com colonizadores espanhóis e holandeses, devido à habilidade para navegar nos canais, o isolamento geográfico dos warao foi fundamental para proteger a comunidade. Contudo, recentemente, a tribo passou a enfrentar diversos problemas, com a chegada de doenças antes desconhecidas, dentre elas a AIDS e a tuberculose, além da pobreza. E, desde o início do século XX, missionários católicos esforçam-se para converter os indígenas.

Há registros de que as tida wena estão integradas à sociedade warao desde tempos pré-coloniais, mas o avanço da urbanização e a exploração de reservas de óleo na região tem contribuído para uma provável extinção dos costumes da tribo, uma vez que, cada vez mais, os jovens warao desejam se integrar à "civilização" para conquistarem melhores condições econômicas.

Publicidade

Como as mulheres, tida wenas são responsáveis por cozinhar, cuidar das crianças e dos idosos, bem como participar da colheita do ocumo chino, um tubérculo muito importante para a alimentação dos warao, que apenas pode ser colhido e preparado pelas mulheres e pelas tida wena.

Algumas, por conta de seu poder espiritual, realizam cerimônias xamãnicas, uma vez que, possuidoras de dois espíritos, têm maior proximidade com os espíritos ancestrais da selva. Hoje, é comum que sejam praticantes de diosoarotu, uma religião desenvolvida com a assimilação das práticas missionárias. Historicamente, algumas tida wena se tornavam esposas e a poligamia era permitida entre os warao.

A tribo foi fotografada em 2014 por Álvaro Laiz, fotógrafo espanhol que viaja pelo mundo registrando povos aparentemente esquecidos ou que têm sua existência ameaçada pelo desenvolvimento. #Curiosidades #LGBT