A mutilação genital feminina consiste, na maioria das vezes, de uma remoção tradicional de parte dos órgãos sexuais externos da menina. A prática é encontrada em muitos países pelo mundo, sobretudo no continente africano, em países asiáticos, no Oriente Médio e em comunidades indígenas sul americanas.

Pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres foram submetidas à circuncisão feminina em mais de 30 países. Em razão dos intensos fluxos migratórios, em diversos países que recebem grandes quantidades de imigrantes, como países europeus, Estados Unidos, Canadá e Austrália, a prática tem se tornado verdadeiro problema de saúde pública.

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Existem variações na amplitude dos procedimentos adotados, desde a remoção do clitóris até a remoção da estrutura externa da vagina e encerramento da vulva. E, embora muitos países pretendam eliminar a prática, esbarram em dificuldades no seio da própria população mais simples, onde ideias de controle de sexualidade da mulher e manutenção de sua pureza e estética encontram guarida em tradições culturais que cultuam as desigualdades de gênero.

A Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas (AGNU) em 1989, considera a mutilação um ato de tortura e abuso sexual. Em 2012, a mesma AGNU reconheceu a prática como violação de #Direitos Humanos.

Pesquisa recente do UNICEF revela que "67% das meninas e mulheres e 63% dos rapazes e homens nos países onde a mutilação genital feminina é comum – o equivalente a dois terços dessa população – querem o fim do procedimento em suas comunidades".

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O estudo também identificou que, em alguns países, a população masculina que deseja o fim do procedimento é maior que a feminina, como na Guiné e em Serra Leoa.

Na Colômbia, pelo menos duas tribos - os Emberá, a segunda maior tribo indígena na Colômbia e os Nasa - adotam a circuncisão feminina, conhecida por "cura" e "corte do calo", prática conduzida exclusivamente por mulheres. O historiador colombiano Victor Zuluaga Gomez considera que, embora existam outras versões sobre a origem da prática da mutilação genital feminina entre os indígenas da Colômbia, trata-se de introdução feita pelos indígenas que a adaptaram dos escravos negros muçulmanos que vieram de Mali no século 18.

Alguns países, como Gâmbia e Nigéria, já adotaram legislação criminalizando o procedimento. Segundo o UNICEF, "nos 16 países onde dados são disponíveis, mais de 1.900 comunidades, abrangendo uma população estimada em 5 milhões de pessoas, fizeram declarações públicas pedindo o fim da circuncisão feminina". #Comportamento