A tentativa de golpe militar na Turquia começa a ter desdobramentos que envolvem diretamente os Estados Unidos. O país que possui uma base militar estratégica em território turco, também acolhe o maior suspeito de estar por trás do golpe: o clérigo Fethullah Gullen.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan insinuou que o governo norte-americano pode estar envolvido. Por outro lado, Erdogan também é suspeito de ter permitido a rebelião, como forma de fortificar seu governo e ter motivos para demitir todos aqueles que considera não apoiadores. Ambos afirmam que as insinuações são falsas.

Quem é o homem acusado pelo governo turco?

O religioso e educador Fethullah Gullen vive em autoexílio nos Estados Unidos, mas mantém grande número de simpatizantes na Turquia.

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Dedicado ao estudo do islamismo, Gullen possui escolas em quase 150 países e incontáveis seguidores, inclusive na política. Em 2013, esteve na lista das pessoas mais influentes do mundo da revista Time.

Acusado pelo presidente turco de ser o mentor da tentativa de golpe, ocorrida no país na última sexta-feira (15), Gullen se manifestou veementemente a favor da democracia: "É insultante ser acusado de ter algum envolvimento nesta tentativa".

Antes aliados, Gullen e Erdogan se tornaram inimigos depois de um escândalo de corrupção que envolveu a família e membros do governo do presidente, que, por sua vez, vê com desconfiança o chamado movimento Hizmet, influente na imprensa, na polícia, nos tribunais e junto à população do país e que é liderado pelo religioso.

A acusação a Gullen veio logo após a rebelião.

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Diante da indecisão dos EUA em atender o pedido de extradição do clérigo, surgiu então a hipótese de que o próprio governo de Obama estivesse envolvido.

O golpe já é considerado um fracasso, no entanto, o secretário de Estado norte-americano John Kerry precisou se manifestar, afirmando que estas declarações prejudicam as relações entre os dois países.

Golpe de Erdogan?

Há quem suspeite do próprio presidente turco. Com o endurecimento de seu governo, afastando-se cada vez mais da democracia, Erdogan teria permitido que a rebelião acontecesse como forma de afastar das Forças Armadas aqueles que não o agradam. Segundo especialistas, seria impossível que a trama não tivesse sido detectada pelo Serviço de Inteligência da Turquia.

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