Na última semana, circulou na internet uma foto de policiais de Nice, no Sul da #França, junto a uma mulher muçulmana usando um "burkini" e pedindo que ela retirasse o traje. O pedido tinha como base a proibição legal estabelecida na cidade.

Segundo o Jornal The Guardian, um dos primeiros a publicar a foto, algumas cidades da França têm banido, legalmente, a utilização de “burkinis” nas praias desde os últimos atentados no país. Segundo o Jornal Le Monde, pelo menos 30 comunidades litorâneas têm discutido leis anti-“#burkini”.

O que é um “burkini”?

Burkini é a mistura de burca e biquíni, é uma forma de as mulheres que seguem a religião muçulmana poderem frequentar locais como as praias ou piscinas sem deixar de seguir os preceitos da religião, ou seja, uma adaptação contemporânea de uma tradição secular.

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A criadora do “burkini”, Aheda Zanetti, de família Libanesa foi criada desde os 2 anos de idade na Austrália e, em texto publicado pelo The Guardiam, no dia 24 de agosto, fala um pouco sobre a origem do “burkini”:  “Quando inventei o burkini em meados de 2004, foi para dar às mulheres liberdade, não para tirar. A minha sobrinha queria jogar netball,  mas foi  uma luta para levá-la para a equipe - ela usava um hijab. Minha irmã teve que lutar por sua filha para jogar, tinha que debater a questão e perguntar: por que é que esta menina foi impedida de jogar netball, por causa de sua modéstia?” O Alcorão, texto base para a prática da religião muçulmana, estabelece de forma geral, que as mulheres devem se vestir de maneira “modesta e decente”. Por isso, a referência de Aheda à modéstia de sua sobrinha.

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Em outro trecho, ela explica a escolha do nome: “Quando eu nomeei a roupa burkini eu realmente não achei que seria uma burca para a praia. Burca era apenas uma palavra para mim - eu tinha sido educada na Austrália toda a minha vida, tinha projetado este traje de banho e tive que chamá-lo de alguma coisa rapidamente. Foi a combinação de duas culturas – somos australianos, mas também somos muçulmanos por opção.”

A questão deixou de ser algo trivial e agora já é polêmica internacional. Segundo investigação do jornal francês Le Monde, as fotos foram tiradas por uma empresa inglesa parceira da Vantage News, na França, e vendidas aos jornais ingleses. Até o ex-presidente, Nicolas Sarkozy, e agora candidato às eleições de 2017, se pronunciou. Em entrevista à Le Fígaro Magazine, sobre o uso do burkini, Sarkozy afirmou: “É um ato político, militante e uma provocação” e propôs que seja criada “uma lei que proíba todos os símbolos religiosos, não somente nas escolas, mas igualmente nas universidades, administração pública e também nas empresas”.

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Considerando que, segundo números da Pew Research Center, a França concentrava uma das maiores populações muçulmanas da Europa, 4,7 milhões de muçulmanos, atrás apenas da Alemanha com 4,8 milhões de muçulmanos, o debate está longe do final, pois vai virar motor político para as eleições.

Na última sexta feira, 26 de agosto, o Conselho de Estado da França, instância administrativa superior do país, decidiu suspender a deliberação que restringia o uso do burkini, mas apenas nas praias de Villeneuve-Loubet, em Nice. No entanto, por jurisprudência, as outras proibições podem cair. É uma decisão temporária e promete uma discussão interessante, já que existem conceitos jurídicos importantes em xeque: o exercício da liberdade de expressão e a laicidade. Alguns especialistas afirmam que soluções que evitem antagonismos religiosos são positivas. Porém, dividem o círculo de debates com opiniões, como do candidato Nicolas Sarkozy e do Partido Republicano, do qual é líder. Por isso, o debate ainda deve se estender, tirando o foco para outras questões também importante no país, como a lei trabalhista recém aprovada.  #Polêmica