Hande Kader, de apenas 23 anos, era prostituta e conhecida ativista pelos direitos LGBTT na Turquia. No dia 12 de agosto, seu corpo foi encontrado queimado e mutilado no bairro de Zekeriyaköy, em Istambul. Segundo relatos de amigos para a imprensa local, ela teria sido vista pela última vez entrando no carro de um cliente. O ocorrido se deu apenas duas semanas depois de um refugiado sírio, homossexual, ter sido estuprado e decapitado a somente alguns quilômetros de distância do local onde o corpo de Kader foi achado.

A ativista era conhecida pela comunidade LGBTT do país, participando de diversos protestos, inclusive na Parada do Orgulho LGBTT de 2015, Na ocasião, a polícia abriu fogo contra os manifestantes com balas de borracha e usou canhões de água para dispersar as pessoas.

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Apesar de a homossexualidade não ser ilegal na Turquia, a sociedade se mantém bastante conservadora em relação a questões LGBTT. Uma enquete recente, feita pelo PEW Research Center, revelou que 80% dos turcos que responderam ao questionário acreditam que a homossexualidade é "moralmente inaceitável".

Além do mais, de acordo com o projeto Transgender Europe, em pesquisa deste ano, o país é o que apresenta o maior número de assassinatos de pessoas trans na Europa - um total de 43 mortes, desde 2008 a abril de 2016 (pouco, se comparado à marca de 845 assassinatos no Brasil no mesmo período).

Durante toda sua vida, Kader procurou chamar a atenção para as mortes de pessoas trans e para a injustiça que reina em seu país. A notícia de seu assassinato repercutiu pelas redes sociais e ativistas turcos têm se esforçado para dar visibilidade ao caso, com a hashtag "#handekaderesesver" ("Deem voz a Hande Kader").

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Apesar da proibição de protestos na Turquia, neste domingo, 21, está marcada uma manifestação na Praça Taksim, em Istambul, em memória a Kader e contra os crimes de ódio. são esperadas mais de 5 mil pessoas, que marcharão por uma das principais avenidas da cidade, até a Praça Galatasaray.

É de recordar que a Turquia vive um momento político agitado, depois da tentativa falhada de golpe de estado contra o presidente Recep Erdogan, no passado mês de julho. Estando há mais de uma década no poder, como primeiro-ministro e depois presidente, Erdogan tem se assumido cada vez como um líder representativo dos valores islâmicos mais conservadores, mostrando vontade de afastar a herança secular e laica do fundador da Turquia moderna, Mustafa Kemal Ataturk. Nas últimas semanas, Erdogan tem desenvolvido uma campanha para afastar potenciais opositores das Forças Armadas e de cargos públicos; suas manifestações de apoio acolhem milhares de pessoas. #Transfobia #Crime #LGBT