Vivemos em um mundo hiperconectado, e talvez seja por isso que é tão fácil esquecer que ainda existem lugares onde o isolamento é imenso. Mas não estamos falando de regiões pobres devido às más políticas públicas, mas sim de locais onde o contato com pessoas de qualquer outra localidade simplesmente não existe.

E se, de tempos em tempos, ouvimos falar de uma tribo amazônica recém descoberta, ou de um indivíduo ou outro vivendo solitariamente em alguma montanha, saber da existência dos habitantes da Ilha Sentinela do Norte, no Oceano Índico, é de deixar qualquer um com os cabelos em pé.

Mais parecidos com personagens de algum filme de aventura dos anos 80, essa tribo, chamada de sentineleses, são realmente isolados e por uma questão muito simples: eles atacam e matam qualquer um que tente se aproximar!

E não pensa que faz pouco tempo que o mundo tem conhecimento de que eles habitam a “ilha da morte”, como é também conhecida.

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A primeira menção sobre habitantes no local data de 1771, quando um navio britânico observou luzes que se assemelhavam a fogueiras, no local. Mas toda iniciativa por contato terminou em tragédia. Os poucos que regressavam das visitas aos sentineleses descreviam a violência com a qual foram recebidos.

Sem chances de contatos

A curiosidade sempre foi maior do que o senso de preservação, e assim, ao longo dos séculos, foram muitas as tentativas de contato com os sentineleses. No século XIX, por exemplo, um pequeno contato foi feito e habitantes de uma ilha vizinha, pertencentes ao Povo Onge, foram levados até Sentinela do Norte, no entanto, eles não entendiam o dialeto e, por razões óbvias, o contato foi interrompido.

Já nos anos 60 do século XX, o governo indiano tentou estabelecer contato, falhando novamente.

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Mas curiosamente, em 1991, a antropóloga indiana Madhumala Chattopadhyay foi bem recebida e estabeleceu contato com os sentineleses. Porém, depois de várias viagens, ela decidiu não mais fazer contato, a fim de proteger a tribo.

Depois disso, nenhum outro contato foi realizado com sucesso. Como é impossível chegar ao local sem correr riscos, a Ilha vive em uma espécie de limbo. Apesar de pertencer à Índia como parte do Território de Andamão e Nicobar, a Ilha Sentinela do Norte é considerado uma região autônoma. Em 2005, o governo local publicou que não pretende prosseguir com qualquer intenção de contato com os habitantes da “ilha da morte”, e que não pretende interferir no estilo de vida deles, que, mesmo sem saber, são protegidos por uma legislação que garante autonomia a povos considerados #Indígenas.

Descendentes dos primeiros homens

Muitos antropólogos acreditam que é de suma importância que se consiga, em algum momento, estabelecer uma relação amigável com a população da Ilha Sentinela do Norte, pois como eles permanecem isolados, isso significa que, provavelmente, eles sejam descendentes diretos dos primeiros Homo sapiens que deixaram a África há 60 mil anos e se espalharam pelo mundo.

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Conseguir analisar amostras de sangue dos sentineleses significaria um gigantesco avanço nos estudos sobre a evolução humana e no conhecimento sobre a migração de nossa espécie no planeta. Porém, ao que tudo indica, eles não se importam com ciência. 

#História #Curiosidades