Um "homem"-bomba, mais especificamente, uma criança de cerca de 12 anos de idade, causou uma explosão em uma festa de casamento que acontecia ao ar livre no sudeste da Turquia, matando pelo menos 51 pessoas e ferindo dezenas de outros.

Segundo o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, o ataque suicida que aconteceu na tarde deste sábado, 20, em Gaziantep, próximo à fronteira da Turquia com a Síria, teria sido de autoria do #Estado Islâmico e foi o ataque mais mortífero na Turquia neste ano.

Falando ao vivo na televisão nacional em frente à prefeitura de Istambul, Erdogan disse que o menino-bomba tinha entre 12 e 14 anos de idade.

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Além do grande número de mortos, o atentado também deixou 69 pessoas feridas, sendo 17 deles em estado crítico.

"Ficou claro que Daesh (Estado Islâmico) já tem uma organização em Gaziantep ou estava tentando abrir espaço para si nos últimos tempos", disse Erdogan. "Muitas operações intensivas foram realizadas, e estão sendo conduzidas. É claro que nossas forças de segurança vão realizar essas operações com uma intensidade maior agora".

Um dos motoristas que mais cedo havia transportado alguns dos convidados de Siirt para Gaziantep, contou que não conseguia acreditar que a festa teria sido vitima de um atentado.

"Isso era uma festa de casamento, só uma festa de casamento normal", disse Hamdullah Ceyhan à agência estatal Anadolu. "Este ataque foi deplorável. Como é que eles fazem uma coisa dessas?".

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A noiva e o noivo não correm risco de vida e estão sob cuidados médicos. Porém a irmã e tio do noivo estavam entre os mortos, informou Anadolu.

No ano passado, a Turquia foi abalada por uma onda de ataques que foram assumidos tanto por militantes curdos ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão - conhecidos pela sua sigla PKK - bem como pelo Deash (Estado islamico). Em junho, militantes suspeitos de serem membros do grupo terrorista atacaram o principal aeroporto de Istambul, com armas e bombas, matando 44 pessoas. Mais um caso foi o duplo atentado suicida, também ligado ao Estado Islâmico, que matou matou 103 pessoas durante um comício pela paz na capital da Turquia, Ancara, em outubro.

O ataque veio em um momento delicado para a Turquia, que ainda está se recuperando da fracassada tentativa de golpe militar do mês passado, o qual o governo tem apontado como responsável o clérigo muçulmano Fethullah Gulen e seus seguidores. Gulen nega qualquer envolvimento.

Um pouco antes, o presidente Erdogan disse que não havia "absolutamente nenhuma diferença" entre o EI, os rebeldes curdos e movimento de Gulen, chamando-os de grupos terroristas.

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"Estas organizações sanguinárias e os poderes por trás deles não têm nem a intensão nem o poder de silenciar nossas orações, baixar a bandeira, dividir nossa pátria ou quebrar a nossa nação", acrescentou.

No início desta semana, uma série de atentados atribuídos ao PKK que tinha como alvo a polícia e os soldados, mataram pelo menos uma dúzia de pessoas. O frágil acordo de paz que havia entre o PKK e o governo e durou cerca de 2 anos e meio, entrou em colapso no ano passado, levando à retomada de um conflito de três décadas.

Em Gaziantep, o vice-primeiro-ministro Mehmet Simsek e o ministro da Saúde do país, estiveram visitando os feridos e inspecionando o local do ataque.

"Este é um massacre de crueldade e barbárie sem precedentes", disse ele a repórteres. "Nós ... estamos unidos contra todas as organizações terroristas. Eles não vão ceder". O primeiro-ministro Binali Yildirim condenou o bombardeio, que, segundo ele, transformou "uma festa de casamento em um lugar de luto" e prometeu que a justiça prevalecerá sobre os ataques "diabólicos".

Os partidos de oposição também denunciaram o ataque. Dentre eles, o Partido Republicano do Povo realizará uma reunião de emergência no final da tarde e uma delegação estava sendo enviado para Gaziantep pelo Movimento Partido Nacionalista. Apoiadores do Partido Democrático Popular pró-curdos vão realizar um protesto contra o ataque em Istambul. #Terrorismo #Morte