Na sexta-feira, dia 2 de setembro, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) emitiu uma nota demonstrando sua preocupação com o resultado do julgamento que impediu a presidente Dilma Rousseff de continuar a exercer seu cargo e o considerou ilegítimo. Em meio a tantas denúncias de irregularidades e manipulações do processo, que estava claramente definido antes mesmo de a presidente exercer seu direito à ampla defesa, a CIDH, bem como outros órgãos de supervisão internacional e a Organização dos Estados Americanos (OEA), questionam as falhas presentes durante todo o decorrer do julgamento.

Diante dos fatos, a CIDH decidiu analisar um pedido de medida cautelar e uma petição, ambos relativos à atuação do sistema judiciário para cumprimento do #Impeachment.

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Há ainda preocupação quanto às repercussões que possam resultar do impedimento, inclusive a nível social.

Além da legitimidade duvidosa, testemunhamos um processo que deveria ser jurídico e imparcial dominado por interesses múltiplos que em nada diziam respeito à acusação de que a presidente havia cometido um crime ao permitir créditos suplementares. Vimos, inclusive, um senador admitindo que votou a favor do impedimento porque Rousseff não tinha mais condições de governar após a perda da base aliada, mesmo acreditando que ela não havia infringido a lei.

Curiosamente, a questão que tanto dividiu brasileiros - inclusive especialistas - sobre se tratar ou não de ação ilegal foi, imediatamente após o impeachment, sancionada em lei: o Projeto de Lei 13.332/2016 foi aprovado e publicado no Diário Oficial da União no dia 2, visando à flexibilização do orçamento.

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O mesmo questionamento sobre a legitimidade da destituição de #Dilma Rousseff foi realizado também por variadas publicações internacionais expressivas, como The New York TimesThe Guardian e a TV Al Jazeera, que têm levantado, desde o início do processo, a suspeita sobre as motivações de parlamentares que são, inequivocamente, mais corruptos que a própria presidente, a qual não chegou a ser alvo de denúncias diretas por participar em esquemas de corrupção - ainda que sua idoneidade possa futuramente ser desconstruída no caso de se comprovar que tinha conhecimento de algumas transações.

É preciso lembrar que, apesar de um governo repleto de falhas, Dilma fez algo inédito no Brasil ao permitir investigações feitas de forma independente pela Polícia Federal, expondo a atuação literalmente histórica de corruptos que vinham agindo pelo menos desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. #Crise-de-governo