Um dos mais intrigantes mistérios em torno das grandes navegações para exploração do Ártico parece estar mais próximo do fim. Foram descobertos no dia 3 de setembro, e anunciados nesta segunda-feira (13 de setembro), os destroços do naufrágio do navio de bandeira britânica #HMS Terror, cujo capitão era o lendário explorador Sir #John Franklin. A embarcação, o veleiro HMS Erebus, que acompanhava e servia de nave capitânia, e toda a tripulação de 129 homens desapareceram em 1848 durante a mal-sucedida expedição de Franklin para encontrar a chamada Passagem do Noroeste.

A sigla HMS se refere a Her Majesty’s Ship, que, na tradução livre para português, significa Navio de Sua Majestade.

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Esse era o prefixo utilizado pelos navios de guerra da esquadra real da Grã-Bretanha desde 1789.

A Passagem do Noroeste é o caminho marítimo que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico ao norte do continente americano, passando pelos Estreitos de Bering e Davis. Essa via natural encurta significantemente as viagens entre a Europa e a Ásia, daí o governo britânico ter prometido já em 1817 a recompensa de 20 mil libras esterlinas para quem conseguisse localizá-la. Muitos tentaram, sendo a expedição de Franklin a mais trágica, uma vez que ninguém regressou vivo. Agora em 2016, quase 170 anos depois, finalmente o HMS Terror foi encontrado pela equipe da Arctic Research Foundation, entidade filantrópica que tem como uma de suas finalidades localizar as embarcações Erebus e Terror. E, para surpresa dos 10 membros do grupo, estava tudo em muito bom estado e no fundo da conhecida Baía do Terror, no Ártico canadense.

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Na atual missão, realizada a bordo do barco Martin Bergmann, foi usado um pequeno veículo submarino, operado remotamente a partir da escotilha aberta. O resultado são imagens impressionantes que ajudam a remontar a vida a bordo do HMS Terror por ocasião de seu #naufrágio. A embarcação ainda se encontra inteira, com seus três mastros quebrados, mas ainda em pé. Quase todas as suas escotilhas estavam fechadas e tudo muito bem arrumado, levando-se em consideração o tempo já passado e as condições adversas em que se encontra nestes quase dois séculos.

Depois de naufragadas, as embarcações foram procuradas ao longo de 11 anos, sem que fosse encontrado qualquer vestígio. Uma dos motivos, sabe-se agora, é o fato de o naufrágio ter acontecido encontrado 96 quilômetros ao sul de onde se acreditava que o navio havia sido esmagado pelo gelo.

“Fizemos uma entrada bem-sucedida no refeitório, às cabines e encontramos a sala de armazenamento de alimentos com placas e um recipiente nas prateleiras.

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Vimos também duas garrafas de vinho, mesas e estantes vazias, assim como uma mesa com gavetas abertas com algo no canto de trás da gaveta”, respondeu Adrian Schimnoswski, diretor de operações da Fundação, por e-mail à redação do diário britânico The Guardian.

A Fundação Arctic Research foi criada pelo magnata canadense Jim Balsillie, cofundador da Research in Motion, desenvolvedora do Blackberry. O próprio Basillie é o pai de uma teoria que busca explicar a localização da embarcação mais ao sul do HMS Terror e seu estado de conservação. “Esta descoberta muda a história, dada a localização e o estado do naufrágio. É quase certo que HMS Terror foi operacionalmente fechado pelo restante tripulação que, em seguida, re-embarcou no HMS Erebus e navegou para o sul, onde encontraram com o seu trágico destino final”, teorizou o bilionário em entrevista para o Guardian.