Declarada santa no domingo, 4 de setembro, pelo #Papa Francisco, #Madre Teresa de Calcutá se tornou símbolo da caridade, mas estudos mostram que sua história, na verdade, não foi de uma pessoa dedicada a fazer apenas o bem. A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1979 era tão fundamentalista que pregava não apenas contra o controle da natalidade e o planejamento familiar, mas a favor da aceitação do sofrimento. E a negligência com que suas casas de saúde tratavam os doentes foi denunciada inúmeras vezes.

O falecido jornalista Christopher Hitchens dedicou um livro ao tema, publicado em 1995, após produzir um documentário em parceria com Taliq Ali, intitulado "Hell's Angel" (em português, "Anjo do Inferno"), em que revela as inconsistências e o lado obscuro da atuação da Madre, incluindo sua amizade com o ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, responsável pelo sequestro e tortura de seus opositores e acusado de corrupção.

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Outro infame amigo da missionária foi Charles H. Keating Jr., condenado à prisão por envolvimento em um dos maiores escândalos financeiros da história dos E.U.A., no fim dos anos 1980 e início dos 90, que resultou na falência de metade dos bancos de poupança e empréstimos do país, com um desfalque de 150 bilhões de dólares.

Há alegações de que Madre Teresa teria recebido dinheiro tanto de Duvalier quanto de Keating Jr., mas, aparentemente, as doações não foram destinadas à manutenção de suas casas de saúde, as quais, segundo voluntários, permanecem negligenciadas e mal higienizadas, onde até mesmo agulhas eram reutilizadas após serem lavadas na torneira.

Questionada a respeito das denúncias contra ela, a Madre apenas declarou: "Tem algo de belo em ver os pobres aceitarem sua sorte, sofrerem como na Paixão de Cristo.

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O mundo ganha muito com o sofrimento deles". Nas filmagens em que são mostrados os doentes no Lar dos Moribundos, em Calcutá, é possível notar como são deixados amontoados em macas estendidas no chão. De acordo com Mary Loudon, ex-voluntária, a essas pessoas não era dada nenhuma assistência médica, nem remédio que pudesse amenizar a dor dos que estavam morrendo.

O médico Dr. Aroup Chatterjee, que publicou um livro denunciando as ações da Madre e de suas seguidoras em 2003, tem se dedicado a criticar e a denunciar as condições deploráveis de tratamento oferecidas aos que são abrigados nos centros de saúde conduzidos pelas Missionárias da Caridade - em que impera o que ele chama de "cultura do sofrimento -, desconstruindo a narrativa por meio da qual a agora santa é percebida no Ocidente.  #Religião