Assim como para o secretário-geral #Ban Ki-Moon, a 71ª Assembleia Geral da ONU representou, para #Barack Obama, a última na condição de presidente dos Estados Unidos. E, como tal, o líder norte-americano usou de uma fala bastante reflexiva que foi quase um balanço de sua gestão e um chamado à integração dos povos e ao derrubamento de barreiras que levam ao preconceito e à xenofobia. Obama deveria ser o segundo a discursar, logo após Michel Temer, mas chegou atrasado à sede da ONU. Para manter a ordem do dia, o presidente do Chade, Idriss Déby, foi convidado a falar antes dele.

Por mais de 45 minutos (contra 15 de seus pares), Obama abordou assuntos sensíveis à comunidade internacional, como crise de segurança, terrorismo doméstico, em um momento que seu país é, mais uma vez, alvo de atentados dentro do seu próprio território.

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Falou também de sua crença de que a democracia pode ser uma ferramenta de mudanças sociais e econômicas, citando países como Ucrânia, Polônia e Chile como exemplos de nações que se aproveitaram desta condição, depois de conviverem com regimes autoritários. “Por várias vezes, os seres humanos pensaram que chegaram ao tempo da luz, para depois repetir o tempo de escuridão. Temos de lembrar que as escolhas dos indivíduos levaram a guerras mundiais repetidamente. Mas também levaram à criação das Nações Unidas, para evitar que guerras voltem a acontecer. Já mostramos que podemos escolher uma história melhor”, enfatizou.

No seu balanço, Obama enxergou um mundo mais próspero e menos violento hoje do que fora no tempo da Guerra Fria. No entanto, destacou que ainda há muitas incertezas e conflitos que devem ser encarados e solucionados.

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"Temos de ir para a frente e não para trás. Hoje, uma nação cercada de muros, só poderia prender em si aqueles que negam a dignidade a outros, e estão sujeitos a censura pública", disse, como um recado indireto a seu compatriota Donald Trump, candidato a sucedê-lo pelo Partido Republicano.

E, ao abordar a questão da crise de refugiados que tanto preocupa a Europa, Barack Obama lembrou que seu país foi construído por imigrantes vindos de todas as partes. “Eu aprendi que nossa identidade não pode ser definida por discriminar outra pessoa, mas na crença na liberdade e na justiça. Esses ideiais podem ser aplicados em todo mundo”, reconheceu, lembrando, ao final, que “o mundo é pequeno demais para construirmos um muro e nos isolarmos em nós mesmos” #Assembleia da ONU