Veio do Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, o anúncio, em 02/09/2016, de que a formalização da assinatura do acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Farc  - terá como sede a cidade litorânea de Cartagena de Índias. A data para a celebração é o dia 26 de setembro. Entretanto, nenhuma das partes sabia informar, até então, onde ocorreria esse evento histórico que teve início em 24 de agosto de 2016, com a comunicação oficial, de ambas as partes, do fim dos conflitos na Colômbia. Foram mais de 50 anos de lutas e de guerra – o mais duradouro dentro da América Latina. E mais quatro anos de negociação, que teve como palco de mediação, a cidade de Havana.

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Aliás, Cuba se ofereceu para mediar as discussões de paz desde o começo.

Não sem querer, a data escolhida da assinatura é próxima do plebiscito marcado para o dia 2 de outubro, no qual a população aceitará ou rejeitará o acordo final costurado entre as partes. Conforme pesquisas informais realizadas presencialmente ou por telefone nos primeiros dias de setembro, 72% dos colombianos disseram “Sim” à questão proposta sobre o encerramento dos combates. É uma maioria expressiva, mas, na legislação da Colômbia, o voto é facultativo e, para que o resultado do plebiscito entre em vigor, será necessário o comparecimento de, no mínimo, 13% dos eleitores. Mais ou menos 4,5 milhões de pessoas.

Com a aprovação, prevê-se que as Farc deixem de ser um grupo paramilitar para se transformar em um novo partido político. 

NOVA UNIFICAÇÃO ALEMÃ

Foi deste modo que o alto Comissário colombiano para a Paz, Sergio Jaramillo, se referiu ao processo de paz que anda na Colômbia: “Isso se parece mais com a reunificação alemã, já que facilitará a união de ‘dois países’; há que se integrar o país”, aludindo à união entre a Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental em 1989.

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 Em sua opinião, num processo de paz “é possível resolver problemas em uma mesa de negociação; é possível dialogar de maneira sensata e canalizar de maneira positiva as energias”.

ENTREGA DE CRIANÇAS-SOLDADOS

Na continuidade da pacificação, o governo colombiano pediu às Farc para que entregassem os jovens (menores de idade) recrutados sob coação e pressão. A data-limite estipulada para cumprir esse tópico é hoje, 10/09/2016. O primeiro sequestro de uma crianças para engrossar as fileiras da guerrilha aconteceu em 1975. Ela tinha 17 anos. De lá pra cá, calcula-se que cerca de 12.000 crianças e adolescentes, de até 18 anos, foram recrutados à força. Essa é uma das facetas mais sombrias e tristes na #História política da Colômbia.  Mães frequentemente trancavam seus filhos em casa durante o dia para não correrem o risco de não mais encontrá-los quando retornassem.

 O plano para receber “los niños” terá apoio da Cruz Vermelha, onde farão avaliação médica e passarão por um programa de reabilitação.

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O Governo acena com 170 crianças menores de 15 anos. As Farc insistem em 20 soldados nessa faixa etária. Outro argumento dos guerrilheiros é que muitos jovens buscavam, por sua livre escolha, se alistar do lado rebelde.

Se o acordo passar pela aceitação popular, as crianças-soldados entregues receberão auxílio financeiro, educação formal e assistências psicológica e pedagógica para compensar os anos letivos perdidos. Tudo bancado pelo Estado.

O maior desafio, no entanto, será localizar e identificar as famílias desses recrutados à força, pois, muitas delas, fugiram para locais mais seguros, a fim de fugir da violência, dos conflitos armados e dos estupros.  #Guerra Civil #Direitos Humanos