O caso de Kyler Prescott aconteceu em maio de 2015, mas voltou à tona porque sua mãe, Katharine Prescott, decidiu processar o hospital em que o jovem estava internado, na ala psiquiátrica, sob observação por risco de suicídio.

Semanas antes de tirar a própria vida, o garoto foi admitido no Rady Children’s Hospital, em San Diego, onde ficaria por 72 horas - o procedimento é comum para suicidas, visando garantir que não se machuquem nem tentem se matar.

Segundo sua mãe, as enfermeiras o tratavam insistentemente no feminino e se referiam a ele como "uma garota", o que apenas intensificou seus sentimentos de ansiedade e depressão.

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O comportamento dos funcionários do hospital o deixaram ainda mais agitado e traumatizado, culminando em seu #Suicídio no dia 18 de maio. Ele tinha apenas 14 anos.

Kyler era vítima constante de cyberbullying e sua mãe recorreu ao hospital na tentativa de obter ajuda quando seu filho externou seu desespero. Pouco antes de falecer, ele escreveu um poema em que falava daquele que estava "preso dentro de seu corpo, envolto pelas correntes da sociedade que o impedem de escapar" ("He’s trapped inside this body, wrapped in society’s chains that keep him from escaping").

O garoto, que tocava piano e era um ativista engajado pela causa LGBT e pelos direitos dos animais, tinha o apoio da família, mas voltou à depressão depois de ser provocado online. Além da crueldade que parece ter sido banalizada nas redes sociais, uma vez que os agressores podem se esconder atrás das telas de seus computadores e smartphones, choca a falta de sensibilidade de funcionários que deveriam ser responsáveis pela saúde e pelo bem-estar daqueles com quem lidam, mas que, nesse caso, simplesmente ignoraram o cuidado com um paciente transgênero.

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Tratar pessoas trans com desrespeito e sem o devido reconhecimento de sua identidade de gênero não é raro no sistema de saúde. Muitos funcionários chegam a receber treinamento, mas deixam que suas crenças pessoais se sobreponham ao bom senso e acabam por destratar aqueles que recorrem a hospitais em busca de ajuda e validação de sua condição - qualquer que ela seja.

Como resultado, em vez de oferecer cuidado, alguns "profissionais" apenas reforçam a opressão social e mostram para transgêneros o quão difícil é se livrar do estigma que os mantém marginalizados. #bullying #Transfobia