Aconteceu recentemente em Mar del Plata, uma cidade #Argentina de pouco mais de 500 mil habitantes, mas acontece quase sempre em inúmeras outras cidades da América Latina: meninas e mulheres são agredidas e violentadas simplesmente por serem mulheres. Não adianta buscar uma justificativa convincente para a prática de tais crimes. Nestes casos, a busca de uma justificativa só corrobora a hipótese de que vivemos, infelizmente, numa sociedade cujo modelo patriarcal prioriza, sob qualquer julgo, um ser humano do sexo masculino. Apesar de todos os direitos conquistados, ainda continua difícil ser mulher no mundo.

Em Mar del Plata, Lúcia Perez, uma jovem de 16 anos foi brutalmente assassinada, depois de ter sido drogada e violentada.

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Dez dias depois, outra jovem de 19 anos denunciou ter sido sequestrada enquanto caminhava na rua, logo depois foi violentada e torturada por, pelo menos, três criminosos.

 Segundo a delegacia da mulher em Mar del Plata, 900 denúncias são feitas em cada mês e somente 200 casos seguem o processo judicial. Esses números são visivelmente alarmantes e tenebrosos: alguma coisa está errada! Mas nem precisamos citar os casos argentinos para entender o quanto é difícil viver sendo mulher.

Citemos por enquanto um dos inúmeros casos de estupro coletivo ocorridos apenas no Piauí. O caso das quatro garotas violentadas e torturadas no município de Castelo do Piauí, de cerca de 20 mil habitantes, chocou o Brasil pela brutalidade cometida por quatro adolescentes e um homem. Uma das vítimas morreu dez dias após ser hospitalizada.

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Além de estupradas e agredidas, os participantes do crime as jogaram de um penhasco.

Mesmo com toda a repercussão do crime e das inúmeras campanhas alertando sobre a violência contra a mulher, não demorou para que outros crimes da mesma espécie fossem novamente noticiados cada vez com menos repercussão. Cada vez com mais justificativas: “estavam provavelmente se exibindo”, “o que ela queria saindo sozinha?”, “por que não foi pra casa cedo, ao invés de ficar por aí à noite?”. Acredite, as justificativas ficam cada vez mais inacreditáveis.

 O fato é que, na Argentina, os recentes casos de #Feminicídio mobilizaram mulheres e homens de todo o país e até fora dele com greves e manifestações históricas para protestarem com mais ênfase a misoginia e a crueldade com que meninas e mulheres são agredidas diariamente.  ##NiUnaMenos (Nem uma a menos) é um movimento organizado por 50 organizações que mobilizou a América Latina inteira.

Pode ser que continuemos a denunciar casos de misoginia, seja no Brasil ou na China, mas tudo leva a crer que será cada vez mais difícil deixar impune tanta violência gratuita contra uma mulher, apenas por ser mulher. Enquanto nos mobilizarmos, nenhuma mulher será uma a menos.

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