A guerra na Síria é um conflito que tem gerado alguns heróis da vida cotidiana em imagens que percorrem o mundo pela televisão. Seja o menino que morreu afogado numa praia da Grécia ou aquele outro que limpou a própria cara dentro de uma ambulância.

A heroína mais recente é uma menina cadeirante que tem uma paralisia cerebral de grau pouco severo. Seu nome é Nujeen Mustafa, tem 17 anos de idade e fugiu dos bombardeios e tiroteios de sua terra natal, em Aleppo.

Visando uma vida melhor, ela e seus familiares cruzaram fronteiras da Europa até chegar à cidade alemã de Wesseling – fincada entre as cidades de Bonn e Colônia.

Para chegar até a Alemanha, Nujeen teve de percorrer em cadeira de rodas quase 5780 km com o empurrãozinho – literalmente falando – da irmã mais velha Nasrine.

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Foram 13 meses de muita determinação e momentos emocionantes que foram contados e transformados em um livro intitulado “Nujeen”. Esse livro foi elaborado com a colaboração da jornalista Christina Lamb, a mesma que relatou em livro a história da paquistanesa Malala, prêmio Nobel da Paz.

A vida de Nujeen na Síria era bem limitada: ela conta que não tinha amigos, não ia à escola e que sua diversão era ficar em frente à televisão para ver desenhos animados, documentários e partidas de futebol. Foi por meio deles que a menina aprendeu o inglês, o que lhe seria útil para tornar a travessia pela Europa um fardo mais leve de se carregar. Para ir da Turquia para a Grécia, usou um bote e ela recorda: “Sentada na minha cadeira de rodas, a um nível acima dos outros, sentia-me como Poseidon, deus dos mares”.

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Durante o trajeto terrestre, a #Família, que estava unida, começou a se dispersar. Pais, sobrinhos, irmãs e primos foram, cada um, procurando suas próprias rotas e destinos.

Um dos momentos mais tensos foi na Eslovênia, quando encararam a intransigência das autoridades que não permitiam a passagem de mais #Refugiados. Nesse ponto da viagem, ela e sua irmã choraram.

Sua nova vida na Alemanha inclui a escola, vários amigos nas redes sociais e planos. Muitos planos. Um deles é trazer os pais que estão num campo de refugiados na Turquia. Ela sabe que será um objetivo difícil de concretizar. Outro projeto é ir para a universidade e estudar Física, como a sua irmã e companheira fazia na Síria. Nujeen quer ser astronauta, mas tem um plano alternativo no campo profissional: o de ser escritora.

Questionada se algum dia pretende voltar à Síria, a menina corajosa diz que tem esperança  de que a guerra termine.

“Mantenho a esperança de que a guerra acabe. Nada dura para sempre, não é? As coisas têm de melhorar. Se a guerra acabar, é claro que voltarei”.

Em relação à publicação do livro, Nujeen diz que “foi uma forma de me expressar e uma grande oportunidade para tentar mudar a forma como muitas pessoas olham os refugiados”. #Livros