Uma população aterrorizada acompanha o avanço de um exército cruel que nada parece poder deter. As tropas nazistas nos anos 30 e 40? O #Estado Islâmico no Oriente Médio? Não. Eram os marcianos, que espalhavam o terror pelo território dos EUA. Ou assim pensavam os ouvintes.

Era 1938, o jovem Orson Welles, que ainda não tinha dirigido, produzido, coescrito e estrelado o incrível Cidadão Kane, apresentava um show semanal na rádio CBS em que o aclamado grupo teatral que ele fundara apresentava adaptações de grandes obras da Literatura. Em 30 de outubro, véspera do Halloween, a obra foi A Guerra dos Mundos, escrita por H. G.

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Wells. Concebido como crítica ao colonialismo europeu e publicado em 1898, o livro descreve a invasão da terra por uma civilização de marcianos, que usavam sua tecnologia para esmagar a resistência—como os europeus em suas colônias.

Os ouvintes foram informados que os invasores usavam armas como gases venenosos e raios incineradores contra os humanos indefesos.

A tempestade perfeita: como as circunstâncias criaram um clima de terror

Os jornais tinham anunciado que a obra de Wells seria adaptada, mas boa parte dos ouvintes não sabia. O hábito de trocar de estação em busca de um programa interessante, um precursor do “zapear” moderno, também colaborou: muitos sintonizaram quando a “invasão” já estava a todo vapor e perderam os avisos de que era só uma representação.

Havia também a tensão internacional: naquele mesmo ano, os nazistas haviam anexado a Áustria e parte da Checoslováquia.

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Outra guerra mundial, ainda mais mortal, parecia provável. Um dos aspectos marcantes da Primeira Guerra Mundial foi o uso do gás como arma - o próprio Hitler acabara hospitalizado depois de um ataque desse tipo. Não é à toa que pessoas relataram ter sentido o cheiro dos gases lançados pelos invasores de Marte.

O rádio permitia, pela primeira vez na história, aos cidadãos acompanhar de perto as notícias de países distantes enquanto aconteciam, inclusive o fracasso da diplomacia e os discursos exaltados.

Doces ou travessuras— vestindo um lençol e dando um susto na nação no Halloween

Welles garantiu não ter tentado criar pânico. Segundo ele, esse tipo de técnica “não era nem nova. Eu não previa nada de incomum.” No entanto, a CBS sofreu processos que totalizavam cerca de um milhão de dólares (mais de US$ 17.000.000. de dólares em valores atuais).

Encerrada a representação, Welles disse que o programa tinha sido uma obra de Dia das Bruxas, como se cobrir com um lençol, pular dos arbustos e dizer "boo". Em situação mais normal, teria rendido um pequeno susto e, depois, algumas boas risadas, mas o povo em que Welles pregou sua pequena peça de Dia das Bruxas já estava nervoso antes mesmo do começo – e tinha suas razões. O resto é história. #Curiosidade #Alienígena