O “coração tem razões que a própria razão desconhece” e a ciência econômica não tem palpites a dar no assunto, certo? Bom, pode não ser bem assim. Uma tendência relativamente recente é o casamento de homens dos países mais desenvolvidos do Leste Asiático (Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura) com #mulheres que emigraram de países asiáticos menos desenvolvidos (China, Filipinas e Vietnã, por exemplo). Falta mulher nos países ricos da Ásia? Daiji Kawaguchi, professor da Universidade de Tóquio, do Japão, e Soohyung Lee, professor da Universidade Sogang, da Coreia do Sul, que publicaram no periódico Economic Inquirity um trabalho analisando a questão, garantem que não é nada disso.

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Na verdade, segundo eles, a proporção de homens e mulheres na população -- que não mudou muito desde os tempos em que este tipo de caso era raro e, de modo geral, desses países até favorece os homens-- não explica esse fenômeno.  No trabalho, ao qual deram o sugestivo título Brides for Sale: Cross-Border Marriages and Female Immigration (algo como “Noivas à Venda: Casamentos Transnacionais e Imigração Feminina”), eles discutem o fenômeno e apontam uma causa provável: o mercado de trabalho nos países mais desenvolvidos do Leste Asiático mudou mais rápido do que as expectativas quanto ao papel da mulher nas tradicionais sociedades asiáticas.  Enquanto nos EUA, em média os homens casados gastam mais de duas horas e meia diárias ajudando em tarefas “do lar”, como cuidar das crianças ou fazer compras, por exemplo, a cooperação dos maridos japoneses e coreanos não chega a cinquenta minutos por dia.

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Com mais e melhores oportunidades de emprego e menos dependentes financeiramente dos homens, a mulheres teriam se dedicado mais a suas carreiras e deixado o #Casamento, em que ainda espera que elas deêm conta de quase todas as tarefas domésticas, inclusive cuidar dos sogros, para depois... ou nunca. Com isso, as mulheres dos países asiáticos mais pobres, cujas perspectivas de emprego não são tão boas e para as quais a oportunidade de se estabelecer em um país desenvolvido vale ouro, estão compensando o déficit de mulheres dispostas a casar.    #Curiosidades