Nesta sexta-feira (28) tem início a XXV #Cúpula Ibero-americana, reunião que acontecerá em Cartagena, na Colômbia, até sábado (29) e contará com representantes de 22 países da América Latina e Península Ibérica. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra. Além dos presidentes e ministros do Exterior, também participarão do encontro o rei Felipe IV da Espanha e o português, recém-eleito secretário-geral da ONU, António Guterres.

A reunião acontece em um momento de incerteza no país, após a população ter rejeitado o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no plebiscito do dia 2 outubro.

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Junto com a situação colombiana, outro tema que provavelmente será abordado no encontro é a grave crise econômica e política da #Venezuela, onde cresce o movimento contrário ao presidente Nicolás Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez.

Paz na Colômbia

Vencedor do prêmio Nobel da Paz deste ano, por seus esforços em prol de um acordo pacífico para dar fim a décadas de disputa com grupos guerrilheiros, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, deverá receber na Cúpula mais uma demonstração de apoio da comunidade internacional à sua empreitada. Mesmo com o clima de incerteza pela recusa da população ao acerto feito com as Farc, Santos tem buscado seguir com o plano de promover a paz no país. Prova disso é que, às vésperas da Conferência, o líder da #Colômbia também tem buscado um acerto com o segundo maior grupo revolucionário do país, o Exército de Libertação Nacional (ELN).

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Programadas para se realizar em Quito, no Equador, as tratativas deveriam ter inicio na quinta-feira (27), mas foram adiadas porque o ELN não cumpriu uma parte do acordo: a libertação do ex-parlamentar Odín Sanchez. Além disso, Juan Manuel Santos vem trabalhando para estabelecer novas bases de negociação com as Farc.

Segundo Augusto Santos da Silva, ministro de Assuntos Estrangeiros de Portugal, a expectativa é que a reunião sirva para apoiar e incentivar a Colômbia em busca não apenas de um acordo de paz, mas também de uma paz que possa ser duradoura. A opinião do representante português é referendada pela secretária-geral ibero-americana, Rebeca Grynspan, que define o encontro como a ‘’Cúpula pela paz’’.

Crise na Venezuela

Outro assunto que provavelmente será mencionado durante a Cúpula é atual crise na Venezuela, que durante esta semana se agravou ainda mais, com a suspensão do referendo revogatório requerido pela oposição contra o presidente Nicolás Maduro. A situação provocou uma grande onda de protestos no país, resultando em prisões e centenas de feridos durante confrontos com a Polícia.

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Para esta sexta-feira (28), foi convocada uma greve geral de 12 horas pela oposição a Maduro, que, em resposta, decidiu colocar o Exército para ocupar as empresas que aderirem ao movimento grevista. De acordo com a organização da Cúpula, 12 nações, entre elas o Brasil, já demonstraram preocupação com a situação venezuelana e são favoráveis à resolução da divergência entre governo e oposição. Por comunicado, assinado em conjunto, os países emitiram elogio ao Vaticano, que tenta intermediar um acordo, com a primeira reunião marcada para o domingo (30).

Cláusula democrática

Por outro lado, o encontro em Cartagena também deve servir para que os membros do Mercosul discutam como atuar no grupo em relação à Venezuela, que deveria assumir a presidência do bloco em setembro deste ano, mas foi impedida pelo Brasil e demais sócios-fundadores. Segundo informações do jornal Globo, durante a Cúpula o ministro das Relações Exteriores brasileiro, José Serra, deve se reunir com os representantes de Argentina e Paraguai para discutir a aplicação de uma cláusula democrática contra o governo de Caracas, resultando em suspensão do bloco. O principal entrave para isso seria o Uruguai, já que a medida deve ter a aprovação de todos, com exceção da Venezuela.