Ele era um símbolo — da revolução socialista, do heroísmo contra um ditador, da ditadura que ele próprio instalou e se tornou a mais longeva do continente americano. Mesmo fora do poder formal desde 2008, nunca abriu mão do controle. Nesse longo reinado, viveu sempre muito bem, e agora, ao morrer, deixa um legado de que só Fidel Castro podia dispor: o Estado de #Cuba.

Fidel estava no poder desde 1959, quando tomou o governo cubano de outro ditador, Fulgêncio Batista. Ao lado do argentino Ernesto ‘Che’ Guevara e do irmão Raúl, instaurou um regime socialista que praticou censura, perseguição política, violações de diretos humanos e execuções sumárias.

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E apropriou-se de muitos, muitos milhões de dólares.

Uma vida de luxos

Seu guarda-costas particular, Juan Reinaldo Sánchez, que o acompanhou por 17 anos, contou no livro A vida Secreta de Fidel sobre as posses do ditador. Entre elas, uma ilha particular (Cayo Piedra) com restaurante flutuante e aquário de golfinhos; e uma marina privada com quatro iates (um deles, o luxuosíssimo Aquarama II, de 30 metros). "No livro, ofereço provas de que Fidel levava uma vida de luxos", contou o ex-guarda-costas em entrevista, dois anos atrás, à BBC inglesa.

Naturalmente, fumava os melhores e mais caros charutos cubanos. E tinha predileção por uísque, em especial por caras marcas escocesas. Em Havana, Fidel tinha sua própria mansão, com porto e centro médico. Movia-se, sempre, em automóveis Mercedes-Benz, com escolta de dez seguranças — dois deles com o mesmo tipo de sangue e fator, como potenciais doadores.

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US$ 900 milhões

Em 2006, a revista Forbes classificou a #Fortuna de Fidel como a sétima do mundo — US$ 900 milhões (R$ 3 bilhões em preços atuais) —, acima das posses pessoais da rainha Elizabeth da Inglaterra e da rainha Beatriz, da Holanda. Nunca se soube de contas no exterior. O dinheiro de Fidel era atribuído a lucros obtidos por “uma rede de negócios de titularidade pública”, segundo a revista.

Entre os negócios mais lucrativos estavam o Palácio de Convenções, perto de Havana, o conglomerado varejista Cimex, a empresa de vacinas e produtos farmacêuticos Medicuba. Segundo fontes de inteligência dos EUA, todos os meses os irmãos Castro apropriavam-se de US$ 30 milhões.

A publicação do artigo, pela Forbes, provocou uma dura resposta por parte do governo cubano, por não citar fontes identificadas. Dizia o governo de Cuba, então, que Fidel vivia de seu salário oficial de US$ 36 (R$ 100) por mês.

Sucessores de Fidel

O sociólogo e cientista político brasileiro Emir Sader, defensor do regime de Cuba, disse, certa vez, que a fortuna era grande, mas o verdadeiro proprietário seria o povo cubano.

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E que, assim, o ditador não teria fortuna pessoal. Frei Betto, ex-assessor do ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, disse que Fidel é um homem desapegado de bens materiais: “Deve ter feito voto de pobreza”. O povo de Cuba também: a renda per capita é de US$ 6.051, segundo o Banco Mundial. A do Brasil é de US$ 12.576. A dos EUA, US$ 53.041.

Seus filhos — são sete no total, com quatro mulheres diferentes — não ficarão mal com a morte do pai. Fidel Angel, Alejandro, Angel, Alex, Jorge Angel, Alexis e Antonio estão bem de vida. O filho caçula, Antonio Castro, foi flagrado recentemente em Bodrum, na Turquia, onde alugou cinco suítes de diárias de US$ 1 mil para 12 acompanhantes. Ele é médico, presidente da Federação Cubana de Beisebol e conhecido por seus contatos com empresários interessados em Cuba.

Qualquer deles poderia ser o sucessor — do poder e da fortuna. Mas o irmão Raúl, atualmente no comando do país, é que deve seguir governando. E usufruindo de todo o dinheiro que Fidel deixou. #Fidel Castro