A foto da jovem Saida Ahmad impressiona qualquer um. Seu olhar fixo deixa claro o quanto sofre com a fome e desnutrição. A moça de 18 anos está internada em um hospital da capital do Iêmen, com um quadro grave de fome. Seus membros são tão finos que a impressão é que podem partir-se a qualquer momento. Ela foi clicada por um fotógrafo da agência Reuters, na tentativa de mostrar ao mundo a brutalidade da guerra civil que assola o Oriente Médio.

A foto dessa menina tornou-se símbolo do conflito que teve inicio quando um grupo religioso, os houthis, rebelaram-se. A Arabia Saudita conseguiu deixar as coisas bem piores ao intervir, dando apoio ao regime do presidente Abdrabbuh Mansur Hadi.

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O conflito já dura quase dois anos, justamente porque os houthis recebem ajuda do Irã, inimigo mortal dos sauditas. Deixando toda uma população renegada à miséria e pobreza, visto que os dois países são considerados de grande importância econômica e militar. O resultado do confronto direto entre houthis e sauditas implicou num bloqueio naval por parte dos últimos, deixando desabrigados e entregues à própria sorte cerca de 2,5 milhões de iemenitas.

Saida foi hospitalizada no último dia 21 no Hospital Al-Thawara, em Sanaa, capital do Iêmen. A jovem estava completamente desnutrida, devastada pela fome. De acordo com informações passadas pela família, a garota estava tão debilitada que não conseguia ingerir os alimentos, sua única dieta vinha sendo suco, chá e leite. Um estudo recente feito pelas Nações Unidas apontou que mais da metade da população iemenita, cerca de 14 milhões de pessoas, vêm passando pelo horror da fome.

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Saida nasceu numa pequena vila muito pobre, no arredores da cidade de Hodeida, próximo ao Mar Vermelho, que se mantêm sob o controle dos houthis. Uma enfermeira do hospital explicou que sua doença é causada somente pela desnutrição. O fotógrafo da Reuters obteve permissão da família para fazer a foto, mesmo fraquinha ela não se recusou e posou com toda sua dignidade. A ONU calcula que até o final de agosto o número de pessoas mortas nesses 18 meses da Guerra Civil do Iêmen já passa de dez mil. #Tragédia #Opinião #Organização Mundial de Saúde