Na manhã desta segunda-feira (21), mais uma vez o Papa Francisco surpreendeu o mundo e, principalmente, os católicos, ao anunciar que concede a todos os sacerdotes a liberdade para absolver as pessoas que cometeram #aborto e buscaram a #Igreja para se redimir.

O Vaticano divulgou uma carta apostólica, intitulada "Misericordia et Miseria", que marca o encerramento do Ano Santo do Jubileu, cujo tema era a piedade.

O Papa declarou que, na sua visão, o aborto é um pecado "global". Segundo Francisco, não apenas as mulheres o cometem, mas também todas as pessoas envolvidas, como médicos, enfermeiras e todos os que têm conhecimento do ato.

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A carta dá aos sacerdotes católicos o poder de decidir perdoar ou não, mas há uma forte recomendação no sentido de que a misericórdia seja uma prática dentro da Igreja Católica, o que deixa claro que o Papa é a favor do perdão.

Ainda assim, Francisco fez questão de afirmar que "o aborto é um pecado grave, porque coloca fim a uma vida inocente".

Até esta data, quem cometesse o aborto era impedido de comungar e só poderia obter a absolvição em casos raros, concedida por bispos ou confidentes especiais.

Como justificativa à ala integralista da Igreja, que é contra a modernização impulsionada por Francisco, o Papa alegou que a piedade é "um valor social" e que ninguém deve impor condições à "clemência divina".

O aborto no Brasil

No Código Penal Brasileiro, o aborto é considerado crime contra a vida humana e apenas autorizado nos casos em que a mulher corre risco de morte devido à gravidez, quando a gravidez é fruto de estupro ou se o feto é anencefálico.

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Lei à parte, é de conhecimento de toda a sociedade que o aborto é praticado ilegalmente, sendo a quinta causa de morte materna no país. A caracterização como crime, não reduz o número de abortos. De acordo com pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, um milhão de abortos clandestinos são praticados por ano no Brasil.

As maiores vítimas são as mulheres mais pobres, que não têm condições de pagar pela realização do procedimento com segurança.

Ainda que a #legalização seja uma reivindicação histórica do movimento feminista, com forte resistência nos setores mais conservadores da sociedade, a prática do aborto é reconhecidamente uma questão de saúde pública. Não se trata de ser contra ou a favor. Nenhuma mulher faz esta escolha levianamente ou sem sofrimento e, sim, por absoluta necessidade.

Seria redundante recomendar aos congressistas brasileiros que, além de ouvir o que prega o Papa Francisco, se espelhassem em leis mais justas de países como o Uruguai, a França e a Itália, por exemplo, e reavaliassem suas posições retrógradas e, porque não, assassinas.