Beverly Whaling, prefeita da cidade de Clay, no sul da Virgínia Ocidental, apresentou sua carta de renúncia a seu cargo na manhã do dia 15 de novembro por um motivo inusitado e revoltante: ela, cujo mandato começou em 1º de julho do ano passado e só deveria terminar em 30 de junho de 2019, usou seu perfil no Facebook para apoiar um comentário feito na rede social por Pamela Taylor, diretora da Corporação de Desenvolvimento do Condado de Clay, uma organização sem fins lucrativos e sem ligação com o governo municipal.

A postagem original comemorava a vitória do candidato republicano Donald Trump na disputa pela presidência dos Estados Unidos: “Vai ser renovador ter uma primeira-dama classuda, bonita e digna na Casa Branca.

Publicidade
Publicidade

Estou cansada de ver uma macaca de salto.” A resposta da prefeita, que também curtiu o comentário, veio cerca de uma hora depois: “Você fez meu dia, Pam.”

A cidade de Clay, que segundo o Censo de 2010, é cerca de 98% branca, possui menos de 700 habitantes enquanto o condado de Clay, do qual a cidade é a sede, possui pouco mais de 9000 habitantes segundo o mesmo Censo. Trump venceu em todos os condados da Virgínia Ocidental, venceu no estado com 68,7% dos votos e venceu no condado de Clay com quase 80% dos votos.

As postagens polêmicas foram apagadas, mas já tinham viralizado e provocado uma enorme polêmica que reverberou pelo estado e pelo país e ganhou manchetes pelo mundo. Pedidos de afastamento da prefeita e da funcionária da organização não-governamental começaram a circular (inclusive uma petição com mais de 110.000.

Publicidade

assinaturas). Em nota cheia de exclamações enviada ao jornal Washington Post, a prefeita pediu desculpas: “Meu comentário não tinha nenhuma intenção racista. Eu me referia a meu dia ser feito pela mudança na Casa Branca! Realmente sinto muito por qualquer ressentimento que ele possa ter causado! Quem me conhece sabe que não sou racista de jeito nenhum!”.

Tina Goode, funcionária municipal, que compareceu a uma reunião do conselho municipal que tinha sido previamente marcada, disse que a cidade não é racista, que a prefeita e a diretora são boas mulheres que, pensa ela, não tinham nenhuma intenção má. Ela também culpa os partidários da candidata democrata derrotada Hillary Clinton por terem as postagens ofensivas se tornado virais. A estudante negra Katie Payne, por sua vez, disse estar surpresa pela repercussão do caso, por ele não ter sido – como, diz ela, ser comum na cidade — “varrido para debaixo do tapete”. A avó dela, Doris Neal, diz que o caso é nauseante, mas não é a primeira vez que acontece algo assim na cidade: sua própria neta já foi vítima de ofensas raciais várias vezes, especialmente quando concorreu à presidência do corpo estudantil.

Pamela Taylor disse a uma afiliada local da rede ABC que tinha sido colocada de licença pela organização não-governamental, mas um representante da instituição disse que ela foi afastada da diretoria e substituída por Leslie McGlothlin. #Preconceito #Racismo