Você já deve ter ouvido falar no “elefante na sala” e no “bode na sala”, já deve até ter ouvido as lendas urbanas sobre jacarés vivendo nos esgotos de Nova Iorque (tartarugas-ninja adolescentes e ratos bípedes gigantes habitando os esgotos da metrópole americana são uma outra questão), mas que tal ter um dragão no seu banheiro? Não é uma figura de linguagem. Foi o que aconteceu com Mark MacEwen, cameraman da rede BBC, que voltou para o hotel depois de um dia de filmagens para encontrar um dragão em seu banheiro.

Bom, não era um dragão como aqueles dos contos de fadas, claro, estou falando do #dragão-de-komodo, o maior réptil existente, que vive na Indonésia, em ilhas como Komodo -- daí o nome do bicho-- e Flores.

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Acredita-se que a espécie exista há milhões de anos e venha se mantendo praticamente inalterada há quase um milhão de anos, apesar da extinção que atingiu boa parte da fauna de maior porte da região desde então. E pode-se dizer que ele encontrou o que estava procurando: ele tinha ido à Indonésia exatamente para filmar os exóticos répteis.

Evidentemente, uma providência precisava ser tomada logo. Conhece a crônica de Luis Fernando Verissimo que menciona o escritor que foi atacado por um tigre em sua biblioteca (como no caso do réptil de Mark, nunca se soube como ele entrou), sobreviveu ao encontro e queria escrever um livro sobre a experiência, mas nunca o fez porque, para escrever uma obra à altura de suas ambições artísticas, precisaria consultar os livros dos naturalistas e inspirar-se nas obras de outros escritores e isso ele não podia fazer porque havia um tigre em sua biblioteca? Bom, digamos apenas que Mark estava impedido de fazer coisas muito mais essenciais porque havia um tigre em seu banheiro.

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Mostrando, porém, a perfeita fleuma que esperamos de um cavalheiro britânico, Mark constatou: “não é exatamente o que você espera encontrar quando você vai ao banheiro. Nosso próximo problema é como tirar um dragão de um banheiro. Ele parece estar bem confortável”.  Realmente, com diz o velho cartaz motivacional, “keep calm and carry on” (mantenha a calma e siga em frente). Esse pessoal resistiu aos bombardeios nazistas e não seria uma espécie de lagarto que pode alcançar meros 3 metros que iria assustá-lo.

O canal BBC Planet Earth Unplugged do Youtube postou um #Vídeo mostrando a difícil peleja de Mark e sua equipe de filmagem para se livrar da fera. Como pedir (educadamente, é óbvio) que ele se retirasse provavelmente não daria certo, atraíram-no para fora com um pedaço de carne podre (irresistível para os dragões-de-komodo, que não são exatamente gourmets) amarrado com um cordão. Antes de sair, o réptil defecou no quarto de Mark.  

E não subestime o pobre animal só porque ele não se enquadra nos padrões ultrapassados da sociedade do que é um dragão: ele pode, sim, matar um ser humano.

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Em 2007, em um parque nacional em Komodo, aconteceu o primeiro ataque fatal de um dragão de Komodo a um humano em décadas. A vítima foi um garoto de 8 anos, que foi dilacerado pelo réptil, que o mordeu na cintura e o sacudiu de um lado para o outro até que o tio do garoto, um pescador, finalmente conseguiu espantar o animal jogando pedras nele. Infelizmente, era tarde demais: cerca de meia hora depois, o menino faleceu devido à enorme perda de sangue.

O animal se encontra ameaçado, pois seu hábitat tem sido devastado pelo ser humano. Ainda assim, um homem preparado (ou mulher preparada) vale por dois (ou duas): agora, você sabe como se tira um dragão-de-komodo do seu banheiro. De nada.

Confira o vídeo:

#Curiosidade