O silêncio compunha o cenário de medo e incerteza na cidade de Wilmington, Delaware, Estados Unidos, naquele 9 de novembro de 2016. Os olhos atentos de Bernardo Villela nos noticiários estavam perplexos e em choque: Donald Trump era o novo presidente dos Estados Unidos, contrariando inúmeras pesquisas de opinião. Aquela segurança que Bernardo conquistou aos poucos em sua vida, de um homossexual livre, hoje casado de acordo com a lei e pai de um garoto de 10 anos, estava mergulhada na incerteza. “Sair na rua sempre é perigoso. Em qualquer lugar há pessoas dispostas a ferir, ofender ou matar alguém que seja diferente, mas na era Obama eu já estava me sentindo muito mais seguro e muito menos preocupado com o que os outros pensam.”

Hoje, Bernardo sente no peito o vazio da incerteza.

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Teme um retrocesso nas conquistas sociais dos últimos anos. Sentado na sala, ao lado de seu filho adotado e seu companheiro, tenta se afastar do medo do fim de uma América que nos últimos 8 anos legalizou o casamento gay em 50 Estados, permitiu o acesso de pessoas trans em banheiros de prédios federais e garantiu que militares assumidamente gays continuassem nas forças armadas. “Espero que os EUA não aceitem nada passivamente. Os protestos não podem adormecer, pois #Donald Trump não ameaça só a comunidade #LGBT e sim os muçulmanos, os latinos, os afro-americanos e as mulheres.”

Inconformado, aos 35 anos, Bernardo vê reascender em si mesmo a chama da luta. Desde o resultado, não consegue digerir aquilo que pode vir. Enfatiza a cada segundo em sua roda de amigos ou sempre que a política surge em seus assuntos, o quanto Hilary Clinton era mais eficaz para o sonho americano.

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Ela tinha os melhores projetos para o que há no coração do americano. Contudo, muitos eleitores não pensaram que ela era boa o bastante e preferiram dar a nação para um cara que vai ter que aprender o trabalho, em nome de uma suposta mudança.”

Sobre os motivos da eleição do bilionário, é enfático: “Muita coisa levou a vitória de Trump. A primeira foi o colégio eleitoral que não se importa com a decisão popular. Hilary teve 1,5 milhão de votos a mais e isso não foi levado em consideração. Trump pressionou áreas em que ele tem enormes dividendos e disse várias declarações que agradam a parcela americana racista, misógina e homofóbica.”

Abraçado a sua família, diante de tudo aquilo que conquistou, resta o tempo para ver o desenho da nova América. A princípio, espera que a mídia não seja mais tão inocente em apenas propagar os absurdos de Trump, sem questioná-lo, em nome de uma pseudo imparcialidade. “Uma mídia imparcial pode derrubar um candidato completamente insano por sua má compreensão da política, direitos humanos e eventos atuais, sem ser parcial." #Eleições EUA 2016