Brigas entre vizinhos não são exatamente novidade. Motivadas, às vezes, por razões prosaicas, como barulho alto à noite ou lixo jogado nas vizinhanças, elas podem ser uma chateação ou até ter fim trágico. Algumas, como a luta entre as famílias Hatfield e McCoy na região de fronteira da Virgínia Ocidental e do Kentucky ou a inimizade entre as famílias Capuleto e Montéquio na peça Romeu e Julieta de William Shakespeare, conquistaram a imaginação humana e invadiram a linguagem comum. Ainda assim, a cidade inglesa de Exeter, no Sudoeste do país europeu, adicionou um tempero novo à eterna questão dos vizinhos que não se dão bem.

Uma dupla de dominatrices (plural de dominatrix, mulher que exerce o papel "dominadora" em práticas de BDSM , que enfatizam a dominação sexual de um parceiro sobre outro) resolveu abrir seu próprio negócio na cidade, mais especificamente em uma tranquila rua habitada por pacatas famílias.

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Os vizinhos não gostaram, reclamam do fluxo de clientes atraídos dia e noite à rua pelo serviço, objetam à existência de um estabelecimento de venda de serviços sexuais em uma área residencial onde vivem crianças e idosos e chamaram a polícia.

A polícia chegou e descobriu que está de mãos atadas (e não por estar participando de bondage – uma das divisões do BDSM que se baseia em amarrar ou imobilizar o parceiro -- no estabelecimento das duas senhoras): só encontraram uma profissional do #sexo lá, o que, segundo a lei, não é o bastante para caracterizar o local como prostíbulo e excluí-lo de uma área definida como residencial pelas regras de zoneamento locais.

As respeitáveis famílias locais estão em um frenesi, criança foram proibidas pelos pais de se aventurar na rua por medo de que ouçam algo impróprio.

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Amelie Foster, mãe de duas crianças, uma de sete anos outra de três, residente na rua explica que não lhe interessa o que as donas do estabelecimento fazem em suas vidas particulares, mas a questão transcende em muito isso, ela afirma que os pais estão tendo que ter conversas complicadas com seus filhos pequenos antes da idade apropriada, que a situação é apavorante para os residentes idosos da rua e que ela está preocupada com o efeito do estabelecimento vizinho em sua capacidade de vender sua casa, se um dia decidir fazê-lo.

Ela acrescentou ainda que a polícia disse que isso é uma questão para ser resolvida pelo Conselho da cidade, ela procurou o Conselho para perguntar como um negócio – especialmente esse negócio – pode estar sendo operando na vizinhança. Foster também diz estar revoltada com o fato de as donas do bordel estarem tentando distorcer a verdade, acusando seus opositores de “crimes de ódio”, o que, diz a indignada mãe, é uma nojenta tentativa de associar seus interesses comercial aos padecimentos reais das vítimas de xenofobia e de homofobia.