Emmie Smith, de 18 anos, tomou uma decisão corajosa e louvável ao permitir que a equipe da National Geographic acompanhasse o processo de transição física envolvendo sua cirurgia de redesignação genital - a qual a mídia brasileira insiste em chamar, erroneamente, de cirurgia de "mudança de sexo" e que, no inglês, tem sido adotado o termo "confirmation surgery", ou "cirurgia de confirmação [de gênero]".

A questão do termo usado para se referir ao procedimento precisa ser levantada, pois a noção de uma "mudança de sexo" ignora o fato de que, mentalmente, a pessoa não muda de sexo, apenas procura adequar seu corpo à sua identidade e percepção de si.

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Emmie, por exemplo, diz sempre ter se identificado como mulher, então, ao passar por todo o processo de transição para assumir um corpo que a sociedade enxerga como feminino, ela não está "virando" mulher, mas reafirmando sua condição de mulher por meio da expressão corporal.

Ao permitir a filmagem da cirurgia, para que seja exibida em um documentário, a jovem pretende desmistificar o processo, mostrando ao público que se trata de um acontecimento lógico para ela, declarando que "é o que acontece a mulheres que estão apenas tentando ficar em paz consigo mesmas e com seus corpos".

Emmie se abriu a respeito de sua identidade feminina 18 meses antes de passar pela cirurgia, em uma postagem em seu perfil no Facebook. Para ela, tornar essa questão pública não foi uma mudança pessoal, mas social.

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Finalmente, a sociedade a perceberia e a trataria como a mulher que realmente é. Sua experiência, felizmente, é bastante positiva por contar com o apoio dos pais, irmãos e amigos, algo que não acontece com muita frequência na vida de pessoas #Transgênero - e que certamente contribui para a maturidade e naturalidade com que a própria Emmie trata o assunto.

A mãe da jovem, Kate Malin, revela que, a princípio, quando ficou sabendo que sua filha era transgênero, ficou bastante assustada, por não ter conhecimento algum sobre o tema. Contudo, sua busca intensa por esclarecimento, estudando tudo o que podia, levou a um entendimento e a uma aceitação do processo. Para a equipe da National Geographic, declarou que tanto ela quanto o marido se sentem honrados por fazer parte da jornada de Emmie.

O irmão gêmeo Caleb diz sentir orgulho de ser parte de um dos poucos pares de gêmeos idênticos no mundo em que há um menino e uma menina.

As imagens da cirurgia são acompanhadas pela explicação do médico responsável a respeito das etapas do procedimento.

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Emmie admite que, às vezes, fazer as filmagens foi estressante, mas que aquilo lhe deu um foco importante enquanto estava em recuperação. O registro é parte de uma edição especial lançada em dezembro de 2016, dedicada às novas formas de visibilidade do gênero através de vivências que estão além do masculino e do feminino como tradicionalmente conhecemos, experiências que, apesar de sempre terem existido, permaneciam invisíveis e raramente foram abordadas pela grande mídia ao longo da história. #Comportamento #LGBT