O homem que comandou a maior potência econômica e militar do planeta desde janeiro de 2009 voltou à cidade em que morava antes de ser presidente dos #Estados Unidos, pra fazer um discurso de despedida. Na noite de terça-feira (10), em Chicago, Barack Hussein Obama estava emocionado.

As filhas cresceram, e o presidente que subiu ao palco há oito anos tinha muito menos cabelos brancos. Lá, ele chegava como o presidente da esperança. Ele disse: "Não somos uma coleção de indivíduos ou uma coleção de estados, mas que sempre seremos os Estados Unidos da América".

Mas o que Barack Obama entrega é uma nação dividida e ele sabe disso.

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No discurso que fez em Chicago na terça-feira (10), falou brevemente do legado, mas o grande foco foi o futuro. Ele disse que essa divisão dos Estados Unidos é uma ameaça à democracia e enumera alguns fatores causadores dessa divisão.

Os fatores

  • Racismo. "Depois da minha eleição se falou na América pós-divisão racial. Essa visão pode ter sido até bem-intencionada, mas não realista. Raça continua sendo uma força potente de divisão na nossa sociedade. Se a gente transformar os desafios econômicos numa disputa entre a classe média branca e uma minoria que não seria merecedora dos mesmos privilégios, então todos os trabalhadores, de todas as raças, vão disputar migalhas enquanto os mais ricos se refugiam ainda mais nos seus próprios enclaves”.
  • Xenofobia, um sentimento crescente dos americanos, de medo dos imigrantes: "Os estereótipos sobre os imigrantes de hoje foram ditos, palavra por palavra, sobre os imigrantes irlandeses, italianos e poloneses de antigamente. Diziam que eles iriam destruir o caráter fundamental dos Estados Unidos. Mas eles adotaram as crenças deste país e a nação foi fortalecida”.
  • Modo como nos comunicamos. “Para muitos de nós ficou mais seguro nos resguardarmos especialmente nas redes sociais, cercados de gente parecida com a gente e que compartilha a mesma visão #Política e nunca desafia nossas ideias. E quanto mais a gente está seguro na nossa bolha, a gente só aceita informação que corrobora a nossa opinião, em vez de basear nossa opinião nas evidências que estão lá fora”.

Depois de falar da desunião entre os americanos, ele frisou como isso é perigoso para a democracia: "Isso representa um perigo para a nossa democracia maior que uma bomba ou um míssil.

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Representa o medo da mudança, o medo de pessoas que parecem, falam ou rezam diferente”.

E foi aí que Obama apresentou uma saída: tratar bem a democracia, em atos de cidadania. “É isso que nossa democracia exige. Não só quando tem eleição, mas durante sua vida toda. Se você está cansado de discutir com estranhos na internet, tente falar com um deles na vida real. Se alguma coisa precisa ser consertada, amarre seus sapatos e vá consertar você. Se está decepcionado com seus políticos, pegue uma prancheta, recolha umas assinaturas e se candidate você mesmo”.

Ele parou para agradecer ao vice, Joe Biden, e, emocionado, à esposa, Michelle Obama: "Você assumiu um papel que não pediu para ter. E você o desempenhou com graça, estilo e bom humor. Você transformou a Casa Branca num lugar que pertence a todos e uma nova geração pode mirar mais alto porque tem você como modelo”.

E ao final do discurso ele se reafirmou como um presidente da esperança. Era a promessa de 2008: “Sim, nós podemos”. E agora ele repete que “com cidadania, nós podemos de novo”.

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E defende: "Sim, nós fizemos". #2017