A Síria vem sendo devastada há anos por uma guerra que já matou mais de 400 mil pessoas, e fez com que quase 5 milhões de sírios se espalhassem por países vizinhos. Acredita-se que 12 milhões de sírios, o equivalente a metade da população no início da guerra, tenha se deslocado ou para outras regiões da Síria ou para outros países. Segundo a ONU mais de 6 milhões de crianças precisam urgentemente de ajuda no país.

Os números não batem, as fontes de informações que atuam na região apresentam dados divergentes uns dos outros. Mas, quaisquer que sejam os números verdadeiros, eles são absurdos.

O começo de tudo na Síria.

Tudo começou com a Primavera Árabe, revolta que desde dezembro de 2010 atingiu todos os países árabes, com o objetivo de promover mudanças na política, economia e direitos humanos.

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Na Síria, a Primavera Árabe chegou em 26 de janeiro de 2011, com protestos contra o regime do ditador Bashar al-Assad, que respondeu com força total contra os manifestantes. Muitos foram presos e torturados, o que fez com que a revolta por liberdade de expressão aumentasse. Quanto mais força o governo usava, maior era a pressão pela saída do ditador. Até que em julho de 2011 o povo sírio estava quase que totalmente nas ruas pedindo a saída de Bashar al-Assad, que colocou o exército contra o povo, e que, por sua vez se armou para, a princípio se defender, mas depois para o combater.

Era o começo da #Guerra Civil. Uma guerra que tomou proporções não só políticas, mas, também religiosas, com confrontos entre sunitas, maioria no país, xiitas e os alauítas ao qual Bashar al-Assad pertence.

A guerra chegou em 2012 até cidades importantes como a capital Damasco e Aleppo.

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No começo dizia-se que a luta contra o regime era feita pela frente de Oposição Moderada Secular, mas com o tempo deram lugar a jihadistas mais extremos como o Estado Islâmico e a Frente Al Nusra, que tem ligação com a Al Qaeda. E para completar, o Exército Curdo também entrou no conflito no norte da Síria.

A situação já caótica na região se agrava a partir de 2014, quando uma coalisão entre Estados Unidos, Grã Bretanha e França, que são contrários a Bashar al-Assad, passam a bombardear a Síria. E em 2015 é a vez da Rússia, que apoia o governo sírio, bombardear a região, com a intenção de estabilizar o regime de Assad.

O Irã, vizinho da Síria, que tem maioria xiita, apoia o ditador e já enviou milhares de combatentes e uma ajuda financeira estimada em bilhões de dólares em apoio ao regime.

Em contrapartida, a Arábia Saudita que é declaradamente inimiga do Irã, ajuda os rebeldes com armamentos e dinheiro.

E ainda temos para completar este imbróglio a posição da Turquia, que apoia os rebeldes sírios, e ao mesmo tempo tenta impedir o crescimento do Exército Curdo na região.

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Em um cenário caótico, como o que se encontra a Síria, o Estado Islâmico se aproveitou para tomar diversas cidades, e espalhar o terror em uma área já tão aterrorizada.

Falta saneamento básico, água potável, alimentos e medicamentos para o povo que está isolado entre as forças do governo e os diversos grupos de combatentes.

A diáspora síria, mudou radicalmente a vida de diversos países, como os vizinhos Líbano, Turquia e Jordânia, países europeus e o Brasil que acolheu uma quantidade muito grande de #Refugiados.

Eu mesmo tive a oportunidade de conhecer e conversar com vários refugiados, e saber um pouco de suas histórias e esperanças. Histórias essas que muito se parecem com as do meu pai e tios que vieram do Líbano no século passado, fugindo da opressão da época.

Relatos dramáticos são vistos diariamente vindos da Síria. Como da síria Umm Leen, mãe de 7 filhos, que perdeu um filho de 12 anos atingido no coração por um estilhaço, sua filha de 16 anos, grávida de 6 meses abortou, e seu filho mais novo tem apenas 3 meses. Ela relata que teve vários abortos durante a guerra. A situação de todos é de muito medo e privação.

Acompanhamos diariamente todo esse desespero esperando que uma solução acabe com todo esse sofrimento. #Conflito na Síria