As relações trabalhistas entre empregador e empregado, embora possuam pilares legais comuns na maioria dos países, têm também as suas variantes ou diferenças. Um exemplo claro disso é o que acontece no contexto do governo brasileiro, onde circulam propostas do aumento da carga horária do trabalhador, sendo que, obviamente, este assunto precisa ser melhor esmiuçado. Por outro lado, os japoneses rumam na contra mão do que está sendo cogitado no Brasil. Pode-se dizer que o #Japão forjou a palavra “karoshi”, que em tradução livre é “morte por excesso de #Trabalho”, e justamente diante de uma preocupação tão séria como esta, muitos empresários estão propensos a liberar os colaboradores de suas companhias mais cedo, sempre na última sexta-feira do mês, no intuito de que os mesmos saiam logo do ambiente de trabalho para se divertir.

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A iniciativa está sendo denominada de “Sexta-feira Premium” e tem data de início em 24 de fevereiro. Conforme as autoridades locais, o objetivo real da medida é colocar um limite na quantidade de horas trabalhadas em excesso e também estimular o consumo no país asiático.

Até o momento não se sabe o número exato das empresas que abraçarão a ideia; todavia, o "Keidanrem" - o maior de todos os grupos empresariais japonês – já cadastrou mais de 1.300 organizações que compõem a associação, para incentivar que os empresários nipônicos adotem a nova postura imediatamente. O tratamento dado ao assunto exige um uma dose extra de esforço, uma vez que os velhos hábitos de trabalho em demasia estão mais do que arraigados no tradicional Japão. Tanto é assim, que o Ministério da Economia, do Comércio e da Indústria (METI em inglês), principal incentivador da nova realidade trabalhista, não manifestou se os seus próprios dirigentes poderão seguir o novo modelo proposto.

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Por outro lado, Hiroshige Seko, que é o ministro do METI, registrou textualmente o seguinte em relação a 1ª Sexta-feira Premium do país: “darei a meus secretários a ordem rigorosa de não marcar nenhum compromisso depois das 15 horas”.

O assunto é tão controverso, que o economista-chefe do Dai-ichi Life Research Institute da cidade de Tóquio, Toshihiro Nagahama, veio a público e disse que há uma relação direta entre o tempo de lazer, as #Férias e o gasto do trabalhador. Enfim, o ideal é que o maior número possível de empregados, desde as grandes até as pequenas empresas, participem e auxiliem no incremento do consumo particular, gerando um acréscimo de aproximadamente 124 bilhões de ienes (US$ 1,6 bilhão) para cada Sexta-feira Premium usufruída.

Mas o mesmo Nagahama se diz um tanto cético de que os trabalhadores de empresas menores possam vivenciar tanta “liberdade”, desta que pode ser considerada uma “promoção” ou prêmio dos empregadores para com os empregados. No Japão, a mão-de-obra produtiva, em regra geral, adere unicamente à metade das férias remuneradas anuais que possui direito.

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Em contrapartida, o sistema compensatório para driblar o impasse é que o governo japonês adota 16 feriados públicos anualmente, quantidade maior do que nos Estados Unidos e até na França.