Homenageada na cerimônia de entrega do #Globo de Ouro, na noite de domingo (8), a atriz Meryl Streep, que foi premiada pelo conjunto de sua obra, discursou criticando o novo presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Em seu discurso, a atriz perguntou: "O que é Hollywood? É só um bando de gente de outros lugares (...) Amy Adams nasceu em Vicenza, na Itália, Natalie Portman, em Jerusalém. Onde estão as certidões de nascimento delas? Hollywood está repleta de estrangeiros", ela mesma respondeu. Mas o motivo principal da crítica de Meryl Streep, além da lista de preconceitos constantemente elencada por Donald Trump, foi o fato de que o presidente havia ridicularizado um repórter do jornal The New York Times, que é vítima de uma deficiência física nos braços. Vídeos de Trump imitando o repórter foram veiculados em todos os meios de comunicação, o que impossibilita o presidente de negar o feito.

Apesar das evidências, Trump negou.

Elegante, Meryl não citou nominalmente o presidente. E nem era preciso. A mais premiada atriz de Hollywood abriu mão de falar de sua carreira, para expor sua apreensão pelo que está por vir. "Houve uma performance este ano que me abateu. A pessoa que pediu para ocupar o posto mais alto do nosso país, imitou um jornalista deficiente físico", criticou Meryl. E foi além, ao dizer que o "instinto de humilhar, quando vem de alguém poderoso acaba permeando a vida de todo mundo". A atriz ressaltou o péssimo exemplo, proveniente justo daquele que deveria dar o melhor exemplo: "desrespeito convida ao desrespeito, violência incita violência".

Meryl, que é uma das raras personalidades cuja carreira e vida pessoal são uma unanimidade, recebeu do presidente uma resposta, via rede social Twitter, na manhã seguinte. Como prova da importância da opinião da atriz, #Donald Trump se deu o trabalho de revidar, ao seu estilo, é claro, publicando que Meryl é "puxa-saco de Hillary que, por sua vez, "perdeu feio as eleições" (o que se sabe não ser verdade). Trump disse ainda que a atriz é superestimada em Hollywood, tentando diminuir a importância daquela que, além da carreira brilhante, sempre militou em favor de causas importantes, como os direitos das minorias.

Ainda durante o discurso, Meryl pediu que a imprensa fique atenta: "Precisamos que a imprensa cobre do poder". Mencionando a liberdade de expressão, que é a base de qualquer democracia, Meryl Streep deixou claras as suas preocupações com o que pode ser o futuro próximo dos #EUA governados por Donald Trump.