Conhecida em todo mundo como a revolta árabe em busca de liberdade e melhores condições de vida, a Primavera Árabe, que iniciou em 18 de dezembro de 2010, atingiu a quase todos os países árabes no Oriente Médio e África, exceto Qatar, Comores e Saara Ocidental.

Seu nome foi inspirado em outras revoltas por liberdade, como a Primavera dos Povos, Primavera de Praga e a Primavera de Pequim.

A despeito do que se possa imaginar, a Primavera Árabe não foi startada por nenhum líder revolucionário ou grupo extremista, mas sim por um vendedor ambulante de frutas de uma cidadezinha no interior da Tunísia, que em protesto por ter sua mercadoria apreendida ao se recusar a pagar propina, ateou fogo ao próprio corpo.

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Esse ato extremo fez com que a população se revoltasse e derrubasse Zine El Abidini Ben Ali, ditador que governou por quase ¼ de século. Em 2014 entra em vigor uma nova constituição e em 21 de dezembro Mohammed Béji Caïd Essebsi é eleito presidente. Na Tunísia a Primavera Árabe ficou conhecida como a Revolta do Jasmim.

Inspirados pelos tunisianos, a Líbia se revoltou contra o ditador Muammar Kadhafi, há 42 anos no poder. Após combates violentos, Kadhafi foi morto em 20 de outubro de 2011. Hoje o país está dividido e controlado por grupos extremistas.

No Egito, a Primavera Árabe ficou conhecida, entre outros nomes, como a Revolta do Nilo. Após muitos protestos, o presidente Hosni Mubarak, que governava desde 1981, renunciou. Foi preso, condenado a prisão perpétua, e mais tarde absolvido.

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Foi sucedido por Mohammed Morsi, retirado do poder em 2013 pelo Gal. Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, proclamado presidente em junho de 2014.

Já, na Argélia, a Primavera Árabe não surtiu o efeito desejado. A tentativa de derrubar Abdelaziz Bouteflika, presidente há 12 anos, não deu resultado. Para acalmar os manifestantes ele marcou eleições no país, que ele mesmo venceu. Em 2014 foi eleito para seu 4º mandato. Seu estado de saúde é muito ruim, talvez não termine o mandato. Uma instabilidade no país é esperada.

As tentativas de derrubar Bashar al-Assad levaram a Síria a uma guerra civil. Estimam-se mais de 400 mil mortos e 12 milhões de sírios deslocados. EUA apoiam os rebeldes e a Rússia apoia Assad, a guerra parece longe de acabar.

No Bahrein a revolta contra o rei Hamad bin Isa al-Khalifa, sempre foram rechaçadas com muita violência.

No Marrocos os manifestantes não pediram a saída do rei Mohammed VI, que atendeu algumas reivindicações como a diminuição de seu poder, eleições e referendos no país.

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Mas, o povo não se deu por satisfeito ainda.

Ali Abdullah Saleh cedendo as pressões populares, colocou fim a uma ditadura de 33 anos, convocando eleições gerais para substituí-lo no Iêmen.

A Primavera Árabe chegou um pouco mais tarde a Jordânia, no 2º semestre de 2012, temendo ter seu reinado interrompido, o rei Abdullah II anunciou eleições para 2013. Mas o maior partido local boicotou o processo com provas de fraudes eleitorais.

Em Omã o povo também não pleiteou a saída do sultão Qaboos bin Said, mas, uma reforma política e trabalhista. Com medo, o sultão tem dado algumas melhorias para a população.

Em países como Djibuti, Palestina, Mauritânia e Somália, ocorreram protestos menores, sem impacto no governo. No Khuzistão, província do Irã, e nas fronteiras de Israel foram constatadas grandes manifestações.

No Sudão grandes protestos contra o presidente Omar al-Bashir, que anunciou que não concorreria a um novo mandato mas, voltou atrás.

No Iraque, já tão combalido pelas guerras desde a derrubada de Saddam Husein, uma #Guerra Civil toma conta do país, resultando na derrubada de vários políticos e a libertação de milhares de prisioneiros.

No emirado árabe do Kwait, protestos causaram mudanças políticas.

O Líbano sofre com a guerra na Síria, e viveu um caos político ficando de 2014 até 31 de outubro de 2016 sem presidente, quando assumiu Michel Aoun.

Só o tempo dirá se a Primavera Árabe deu resultado ou acabou se transformando em inverno árabe. #Primavera arabe #Refugiados