Em meio a ações e discursos protecionistas ao redor do mundo - como é o caso do ‘Brexit’ no Reino Unido e de Donald Trump nos Estados Unidos - a segunda maior potência econômica do mundo reage tomando o caminho pela rota inversa.

Durante o encontro do Fórum Econômico Mundial, ocorrido nesta terça-feira, 17, em Davos, na Suíça, o presidente chinês, Xi Jinping, saiu fortalecido após um discurso forte a chefes de Estado e empresários, em que reafirmou seu compromisso e do partido comunista daquele país com o processo de globalização.

O momento não poderia ser mais propício. Com a posse de Trump na próxima sexta-feira, 20, o comércio global certamente enfrentará enormes desafios caso o presidente eleito coloque em prática todas as medidas anunciadas na campanha: o isolamento do mercado americano, escorado no fortalecimento industrial interno e cobranças de novas tarifas sobre mercadorias da #China e do México.

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Sob Trump, o mercado mundial poderá entrar em parafuso. Por outro lado, para os chineses, o cenário não é de todo mal, já que seu processo de livre comércio se expande cada vez mais e o desejo de Pequim em desempenhar um protagonismo global é crescente.

Em Davos, Xi Jinping foi taxativo ao comparar medidas protecionistas a “trancar-se em um quarto escuro” – uma clara alfinetada em Trump. “Ninguém saíra vencedor de uma guerra comercial”, declarou o líder asiático. Com uma exposição rica em intenções, Xi foi o grande destaque nos Alpes ao apresentar argumentos positivos sobre a globalização, como o fato das crises financeiras internacionais serem causadas pela busca excessiva de lucros, e não pelo livre comércio em si.

Uma vez mais, ficou clara importância do Estado no processo de regulamentação do capital.

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É possível produzir, gerar riqueza e, ao mesmo tempo, distribuí-las de forma mais igualitária – o que poucos esperavam é que tal discurso viesse de um país dito comunista.

Pouco menos de três décadas depois da queda definitiva do regime soviético, o mundo se vê próximo de uma mudança radical em sua geopolítica. Se de um lado o governo Trump promete se esconder, do outro sobra mais espaço para a China assumir, de forma definitiva, a liderança do comércio global e ditar as regras pelas próximas décadas. #XiJinping #Donald Trump