O jornal italiano “La Repubblica” veiculou poucos dias atrás que a #Grécia, por meio dos seus representantes oficiais, rejeitou terminantemente o pedido da empresa de #Moda italiana Gucci, quanto à possibilidade de realização de um desfile de moda nos dias atuais tendo um dos principais cartões postais da Grécia, que é a sua Acrópole na capital Atenas, como sendo o cenário de tal evento. O que poderia parecer um verdadeiro absurdo para alguns, ainda mais em épocas de crise econômica, que é a recusa por parte dos gregos de que um dos seus cenários mais conhecidos na história global, fosse o palco das luzes dos holofotes da mídia e de empresários ricaços, tem uma razão concreta para tal e pode ser explicado facilmente dentro de uma lógica patriótica com muita razoabilidade.

Publicidade
Publicidade

Tanto é assim, que o jornalista Ettore Livigno, em seu artigo no periódico do seu país, citado acima, resumiu com chave de ouro o imbróglio sobre o assunto do pedido do desfile e sua recusa, salientando o seguinte na matéria: “a resposta do Conselho Arqueológico Central foi inequívoca, pois o valor e o caráter da Acrópole não são nem um pouco compatíveis com um evento desse tipo”.

A explicação da posição grega foi muito bem dissertada também por Dimitris Pantermalis, que é o atual diretor do fantástico museu que abriga as riquezas arquitetônicas do frontão do Pártenon e também das estátuas em forma de mulher que são as Cariátides. “Nós não precisamos de publicidade", reiterou Pantermalis. O diretor grego ressaltou ainda que toda aquela área no seu país só serviria como uma base para um reles desfile de moda.

Publicidade

Tudo, segundo Dimitris, revela uma profunda pobreza de espírito por parte dos solicitantes da Gucci e, desse modo, a Grécia não está nem um pouco disposta a vender a alma do seu povo e de sua #História milenar, ou seja, a Acrópole não servirá como uma coadjuvante para o encontro em questão. A casa Gucci até tentou replicar a decisão por parte do governo de Atenas, relembrando que em 1951 as colunas e mármores da mesma região serviram como palco para um show semelhante da concorrente no mesmo segmento, Christian Dior, ao que o Conselho novamente reforçou o não, afirmando que “os tempos e o contexto eram outros naquela ocasião”.

Vale frisar que o Pártenon da Grécia é uma obra arquitetônica que, embora possa parecer simples, possui uma beleza soberana, que no passado media 31,39 m x 76,82 m com oito colunas dóricas na frente e 17 delas nas regiões laterais, tendo a sua construção início em 447 a.C e término em 438 a.C, por meio de um pedido de Péricles, estadista grego, ao seu amigo, o escultor Fídias.

Publicidade

O interior do templo contava com uma estátua grande da deusa Atena, padroeira da cidade, feita à base de ouro, mármore e marfim. Isso sem levar em consideração outras estátuas de menor porte e cenas do cotidiano da sociedade da época, caracterizando assim, os ideais de liberdade, civilização e inteligência do povo da Grécia Antiga.

Na sua opinião os gregos deveriam ter aceito o evento no país ou estão certos em recusar que a Gucci se utilize de seus cenários e história como simples coadjuvantes?