Quando Ashton Kutcher chegou ao Capitólio na manhã de quarta-feira (15) não foi precisamente para fazer um capítulo de seu antigo programa "Punk'd" com os congressistas. O ator foi testemunhar junto ao Comitê de Relações Exteriores do Senado, sobre os avanços da a luta contra a escravidão moderna.

Kutcher falou em nome da Thorn: Digital Defenders of Children (Thorn: Defensores Digitais de crianças), a organização que fundou junto com sua ex Demi Moore, em 2009. Em um relato emocionado, Kutcher falou por 15 minutos, elogiou o comitê pela cooperação, disse também que falar no Senado era "uma das maiores honras que já tive na vida”.

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Durante várias vezes, ele teve que parar por ficar emocionado demais ao lembrar do trabalho que vem desempenhando com vítimas de escravidão sexual. “Como parte do meu trabalho contra o tráfico, conheci vítimas da Rússia, Índia, México e de nosso pais, Nova York, Nova Jersey do pais inteiro. Também estive junto nas incursões do FBI onde vi coisas que ninguém deveria ver”, explicou o ator. “Vi um vídeo de uma garotinha, da idade da minha filha, sendo violentada por um americano que estava fazendo turismo sexual em Camboja, isso foi nojento”, acrescentou.

Kutcher insistiu na importância da tecnologia como uma ferramenta para lutar contra a escravidão sexual, citando progressos específicos. “Está funcionando há seis meses, já identificamos mais de seis mil vitimas de tráfico de pessoas. Deste número, mais de duas mil são menores de idade.

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Esta ferramenta contribui com mais de quatro mil agentes da lei. Também estamos reduzindo o tempo de investigação em mais de 60%“, falou Kutcher sobre o software chamado de Spotlight, produzido e criado pela Thorn.

Soli, outro software criado por sua organização, diminuiu de três anos para três meses o tempo de investigação dos materiais da dark web, segundo informação do ator. Kutcher falou com conhecimento de causa e pediu ações especificas, incluindo o financiamento adicional para tecnologia, a junção das relações entre o setor publico e o privado, um plano para as vitimas que inclua tratamento psicológico e acompanhamento medico. Também pediu penas mais duras para traficantes sexuais e traficantes de mãos de obra.

O presidente do Comitê, Bob Corker, elogiou o trabalho de Kutcher e classificou como “inspirador“ e “um verdadeiro espírito empreendedor e corajoso, uma pessoa que assume os riscos para o bem estar social“. Tanto Corker como seus colegas de Senado, Tim Kaine e Marco Rubio além de Kutcher, usaram broches com um X vermelho, como símbolo para aumentar a consciência sobre a escravidão moderna.

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Kutcher deixou claro sobre sua posição política e falou o que pensava a respeito de do pais fechar as portas em relação aos refugiados.

“Quando as pessoas são excluídas, quando são abandonadas, quando não recebem o amor que precisam para crescer, se transformam em vitimas fáceis de traficantes. E se quisermos lutar com seriedade contra a escravidão, não podemos ignorar a crise dos refugiados, não podemos negar nosso apoio, porque caso contrario, estaremos entregando crianças e jovens a traficantes e exploradores sexuais, algo tem que ser feito, não é fechando fronteiras ou criando muros“ falou Kutcher.

No mês passado, Kutcher publicou em sua conta no Twitter sua rejeição contra o decreto de imigração que o presidente Donald Trump assinou, ele postou a seguinte mensagem: “Minha esposa veio a este país, com um visto de refugiada, fugindo da guerra fria! Meu sangue esta fervendo agora!” — ashton kutcher (@aplusk) January 29, 2017.

Kutcher terminou seu discurso emocionado e foi muito aplaudido pelos congressistas. #Ashton Kutcher