A âncora da agência de notícias norte-americana "Democracy Now!", Amy Goodman, que não escondeu, na sexta-feira (17), sua satisfação em ver pessoas pobres e vulneráveis reagirem com firmeza (e pacificamente), à indicação de Andrew Puzder, pelo #governo #Trump, ao cargo de secretário do Trabalho dos Estados Unidos. A pressão popular funcionou e Puzder declinou da sua pretensão. Trump indicou, na quinta-feira (16), o advogado Alex Acosta, que tem gerado muita desconfiança na opinião pública norte-americana, conforme noticiado.

O movimento "Fight for $15!" não aceitou que fosse indicado para tratar de assuntos trabalhistas um personagem com várias acusações de desrespeitos aos trabalhadores e trabalhadoras da sua cadeia alimentícia fast food, a Hardee's y Carl's Jr.

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Goodman lembra que o empresário multimilionário, Puzder, foi amplamente acusado de não pagar os salários de seus funcionários, assédio sexual generalizado em suas empresas. Ou seja, uma vida pessoal manchada de acusações, inclusive de sonegação de impostos e violência doméstica.

A jornalista lembra que o governo Trump, em apenas um mês, está marcado pelo caos e confusão. Destaca que a renúncia de Puzder ocorreu na mesma semana da demissão forçada do general Michael Flynn da chefia do Conselho de Segurança Nacional. Disse que uma informação confidencial de inteligência revelou que Flynn havia dialogado com o embaixador russo nos #EUA durante o período de transição, quando Barack Obama ainda era presidente. "Se Flynn entrou em negociações sobre as sanções à Rússia com o embaixador do referido país, como se alega, então suas ações bem podiam ter sido ilegais", avalia a âncora.

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Segundo ela, aparentemente, Flynn teria mentido para o vice-presidente Mike Pence sobre o conteúdo das conversações. O Departamento de Justiça informou ao Trump sobre o assunto, no início de janeiro, mas Trump não forçou Flynn a pedir demissão, até que notícias da imprensa revelaram o comportamento do general.

Intolerância

Logo que o general foi nomeado para o Conselho de Segurança Nacional, lembrou Goodman, surgiram protestos populares contra tal nomeação. Esse cargo, segundo Amy, é um dos poucos em que o presidente pode indicar nomes sem precisar da aprovação do Senado.

Ela analisa que não se pode considerar a queda do general apenas pelas conversações com o embaixador russo, mas, sobretudo, pelas fortes manifestações populares contra o discurso de intolerância de Flynn.

A intolerância também é uma marca de Puzder, mostrou a âncora. O empresário violou diversas leis e regulamentos trabalhistas, que deveria proteger como secretário de Trabalho. Uma pesquisa do grupo "Restaurant Opportunities Centers United", com 18 mil membros em 15 estados dos EUA, revelou que 66% das funcionárias da CKE Restaurantes (onde Puzder foi diretor executivo por 16 anos) sofreram assédio sexual, em comparação com 40% das funcionárias da indústria alimentícia fast food em geral.

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A pesquisa mostra, ainda, que 28% das pessoas ouvidas disseram ter trabalhado além do seu horário contratual, e não terem recebido o pagamento de horas extras, nem tiveram direito de folga em seus turnos.

E não para por aí. A pesquisa revelou, ainda, que 79% dos trabalhadores da CKE Restaurantes preparavam as comidas mesmo estando adoentados. Saru Jayaraman, cofundador do grupo "Restaurant Opportunities Centers United", disse que Puzder doou US$ 700 mil à campanha de Trump. O ativista conclui que se tal nomeação passasse, seria o mesmo que colocar o Departamento do Trabalho nas mãos dos empresários reunidos na Associação Nacional de Restaurantes.

Puzder é opositor do estabelecimento do salário mínimo de US$ 15/hora, contrário à licença por doença e à Lei do Cuidado da Saúde a Preço Baixo, entre tantos outros temas favoráveis aos trabalhadores norte-americanos.

Em suma, para Amy Goodman, o que levou a queda Puzder e o general Flynn foi a mobilização popular de milhares de pessoas pobres (em todo os EUA) que disseram "não" ao ódio, intolerância e à injustiça. #Mundo