Esta é uma história envolvendo dois homens que, coincidentemente, tinham 21 anos de idade quando decidiram que iriam colocar um fim em suas próprias vidas, e que acabaram literalmente se unindo um ao outro devido a uma cirurgia de transplante de rosto.

Tudo começou no dia 23 de dezembro de 2006, quando o americano Andy Sandness, que estava profundamente deprimido e bebendo muito, atirou em seu próprio rosto com um rifle. Assim que efetuou o disparo, Sandness se arrependeu imediatamente, e quando a polícia chegou para socorrê-lo, ele começou a implorar que não o deixassem morrer.

O jovem acabou sobrevivendo, mas não sem consequências terríveis: o tiro destruiu completamente sua mandíbula e nariz, e, além disso, parte da visão de seu olho esquerdo foi perdida, e ele só podia se alimentar através de um tubo.

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Início da recuperação

Após ser tratado em dois hospitais, Sandness foi transferido para a Clínica Mayo, onde conheceu o Dr. Samir Mardini, um cirurgião plástico especialista em reconstrução facial, que prometeu ao jovem fazer o melhor possível para consertar seu rosto. Foram feitas oito cirurgias, e mesmo assim, os resultados ainda não se mostraram muito bons devido à extensão dos danos.

Sandness teve que conviver com seu rosto desfigurado durante anos, e em 2012 surgiu uma nova esperança, quando o Dr. Mardini lançou um programa que visava realizar transplantes de rostos. O médico entrou em contato com o jovem e lhe informou que ele era um paciente em potencial, e também esclareceu que se fosse adiante com a ideia, Sandness teria que arcar com algumas consequências, como ter que tomar remédios para evitar a rejeição do transplante pelo resto da vida.

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O jovem aceitou a ideia, em de 2016 – dez anos após a tentativa de suicídio –, veio a tão esperada notícia, pois havia sido encontrado um doador para Sandness. Entretanto, um fato realmente espantoso foi revelado: o novo rosto viria de um homem de 21 anos que havia se matado.

O transplante

A cirurgia começou na noite do dia 16 de junho de 2016. O procedimento durou 56 horas e envolveu 60 pessoas, entre os quais anestesistas, enfermeiros e cirurgiões.

Duas salas cirúrgicas foram usadas, sendo que em uma estava Sandness, e na outra o doador. Só para retirar o rosto e os dentes do homem que havia se matado, foram gastas 24 horas, e mais 32 horas seriam necessárias para que o transplante fosse concluído.

Quando enfim pôde ver seu novo rosto, Sandness ainda não podia falar direito. Mesmo assim, escreveu em um caderno quatro palavras para o Dr. Mardini: “Superou muito minhas expectativas”.

Atualmente, o jovem pensa em voltar para sua terra natal, Wyoming, trabalhar como eletricista e algum dia se casar.

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Ele mantém contato com a esposa do doador, Lilly Ross, que permitiu a doação facial para mostrar ao filho do casal que seu marido havia, apesar de tudo, feito o bem para alguém, e que de certa forma continuaria vivendo em outra pessoa – que assim como seu esposo, havia perdido as esperanças, mas que acabou recebendo uma segunda chance. #Medicina