Em setembro do ano passado, uma mãe italiana estava trabalhando quando a cunhada ligou. Em uma voz calma, pediu-lhe que voltasse para casa. Ao chegar a sua própria morada e ver policiais, paramédicos e vizinhos, adivinhou logo o que tinha acontecido: sua filha tinha morrido - mais doloroso ainda: tinha se matado. Os vizinhos impediram Maria Teresa Giglio de entrar na casa, para poupá-la de vê-la morta.

Saber o que levou uma moça que costumava ser feliz e cheia de vida a cair em uma depressão brutal que lhe roubou a vontade de viver até levá-la a abreviar sua existência pode servir de alerta a outras mulheres. O caso aconteceu na Itália, com uma moça que morava com a mãe em uma cidadezinha nos arredores de Nápoles.

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Poderia ter acontecido com qualquer mulher em qualquer lugar.

Em 2012, Tiziana enviou um vídeo a cinco pessoas, incluindo o namorado, com quem ela tinha um relacionamento um tanto atribulado. Nela, a moça praticava atos de uma natureza sexual com alguns homens. Por mais embaraçoso que fosse, talvez acabasse esquecido, mas algo que ela fez agravou mais ainda a situação. Perguntou se a pessoa empunhando a câmera estava fazendo um filme e acrescentou um incentivo: "Bravo!" Para muitas das pessoas que assistiram era como uma permissão para passar as imagens adiante. Se a moça não se importava em ser filmada fazendo aquilo, ela certamente desejava ser vista, pensaram. O arquivo foi parar em sites adultos. O incentivo de Tiziana à pessoa filmando virou meme e alvo de paródias e escárnio. Ela virou motivo de riso e de desprezo, sua reputação, arrasada.

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Ela era reconhecida nas ruas e xingada de nomes terríveis, passou a evitar sair da casa que dividia com Maria Teresa. Recorreu à justiça e conseguiu de uma corte que vários sites e serviços de busca se livrassem do vídeo - mas também foi obrigada a pagar vinte mil euros em custos legais. Teresa Petrosino, amiga dela por duas décadas, acha que ela não suportou o fato de que aqueles vídeos existiriam para sempre e que, por exemplo, um marido e filhos que viesse a ter acabariam por descobri-los. A reação cruel das pessoas esmagou-a.

Acuada, decidiu por um fim ao sofrimento, escolha trágica que chocou aqueles que a amavam. A mãe diz que a morte da moça matou-a também. Agora ela só quer saber o que aconteceu. Promotores interrogaram o namorado de Tiziana, Sergio, por dez horas porque querem saber se algum indivíduo induziu-a ao suicídio. O rapaz recusou pedidos de entrevista e o advogado dele enfatizou que ele não é acusado de nada além de dizer que o moço abster-se-á de declarações públicas em respeito à falecida, cuja vida foi destruída pelo interesse público que o caso atraiu.

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Atualmente, os vídeos continuam na rede, mas não é mais possível achá-los através dos principais buscadores.

A mais importante lição a ser extraída do caso foi enunciada pela senhorita Selvaggia Lucarelli, comentarista italiana, que disse que não se deve fazer na internet o que não se faria na vida real. Este conhecimento chegou tarde demais para uma moça italiana chamada Tiziana, de 31 anos, que vivia feliz com a mãe em uma cidade nos arredores de Nápoles. Espera-se que não para outras mulheres. #sexo