Embora pareça mais um roteiro de um filme de suspense e terror, as seitas dos mais variados tipos existem, em todos os países, sem exceção. O que muda é a forma como elas podem impactar as autoridades e a população em geral.

Uma seita britânica foi revelada em 2013, mas só agora ganhou um documentário contando a realidade das vítimas. Um homem, indiano, chamado Aravindan Balakrishnan, e conhecido entre as suas prisioneiras como “Camarada Bala” ou “CB”, conseguiu fazer uma lavagem cerebral nas vítimas, dizendo que era um deus que controlava tudo no mundo, inclusive as catástrofes naturais, como terremotos e tsunamis. As mulheres tinham medo dele e ao mesmo tempo, disputam entre elas para servi-lo, pois acreditavam ser uma honra poder servir um deus.

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Como tudo começou

Aravindan ganhou uma bolsa de estudos para estudar em uma escola londrina, no Reino Unido, mas em um novo país, começou a se envolver com o #Ativismo Político de esquerda e se apaixonou pelos ideais de líderes dessa ideologia. Aravindan ficou cego pelo que aprendia e acreditava que o comunismo era a única forma de paz e liberdade na terra, sendo que quem não o aceitava, era do Estado fascista.

Com o tempo, abandonou os estudos e começou a liderar um grupo de ativismo político, onde venerava grandes líderes do socialismo no mundo. O grupo chamou a atenção da política, que invadiu a sede do local para procurar drogas. Nada de irregular foi encontrado, mas o ato policial foi o estimulo que Aravindan procurava para tornar suas atividades ocultas das autoridades.

Passou a mudar de casa com frequência e os seguidores, passaram a morar em sua casa.

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Apenas mulheres estavam no local, onde vivia Aravindan e sua esposa. O casal nunca trabalhou, então quando haviam muitas seguidoras, algumas saiam para trabalhar e trazer dinheiro para casa e quando haviam apenas sete, a única renda da casa era a pensão que Chandra, mulher de Aravindan, recebia pela irmã deficiente.

Nenhuma das mulheres podiam sair do apartamento e caso tentassem, eram ameaçadas de que seus corpos começariam a pegar fogo, instantaneamente. Como o único mundo dessas mulheres era aquele apartamento, elas achavam que aquilo era verdade. Um dia, um entregador de pizza bateu na porta do apartamento, por engano, e Aravindan disse que quem tocava a campainha, era o Estado fascista querendo provocá-lo. No mesmo dia teve um terremoto e elas acreditaram terem sido CB quem o provocou.

As mulheres tinham que levantar cedo para fazer trabalhos domésticos e servir o Camarada Bala. Quem se recusasse ou tentasse fugir, era espancado. Duas mulheres chegaram a falecer durante os anos como prisioneira.

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Embora algumas não soubessem de abusos sexuais, eles também aconteceram. A sobrevivente, que passou a usar o nome fictício Katy, passou por um exame de DNA, que comprovou que ela é filha de Aravindan, fruto de um relacionamento de sua mãe, quando ainda era ativista da seita.

A fuga

Katy ficou muito doente e uma das prisioneiras, Josie, achou que ela poderia não resistir. Escondidas, conseguiram contato com a ONG Palm Cove Society, que em parceria com a polícia, ajudou na fuga. Elas saíram do apartamento e a polícia adentrou o local, encontrando uma outra prisioneira de 69 anos de idade. Katy não conseguia andar direito e parecia maravilhada com tudo o que via.

Aravindan, hoje com 77 anos, foi preso e condenado a 23 anos de prisão por estupro e cárcere privado da própria filha. A polícia descobriu que ele estuprou duas prisioneiras. Mesmo liberta do cativeiro, Josie não conseguiu entender o mundo real e acredita que CB foi vítima do Estado fascista, e juntou-se a esposa do condenado para tentar “limpar o seu nome”.

Katy ainda luta para se adequar ao mundo e deixar o doutrinamento em que viveu a vida toda, para trás. Ela declarou para a BBC, que odiava Aravindan, mas que hoje já consegue perdoá-lo e tem vontade de se reconciliar com ele um dia, se ele quiser, pois ele é seu pai biológico. #Viral #Crime